Parceria Católica Porto–APLOG aproxima academia e empresas para formar talento em logística, com foco em IA, eficiência e competitividade da cadeia de valor.

Parceria Católica Porto–APLOG: nova geração de talento logístico
Em Portugal, a logística já representa cerca de 10 a 12% do PIB se somarmos transportes, armazenagem, distribuição e serviços associados. Mesmo assim, muitas empresas ainda tratam a logística como “apoio operacional” e não como peça central da estratégia. É aqui que acordos como o protocolo entre a Católica Porto Business School e a APLOG começam a mexer realmente com o setor.
A colaboração anunciada traz algo que faltava há anos: ponte direta e estruturada entre academia e empresas de logística em Portugal, com foco em formação executiva, conhecimento aplicado e desenvolvimento de talento. Numa altura em que a IA, a automação e as pressões de custo estão a redesenhar cadeias de abastecimento, isto não é um detalhe — é uma vantagem competitiva.
Neste artigo mostro o que está em causa com este protocolo, porque interessa às empresas portuguesas e como pode ser usado, na prática, para criar cadeias de valor mais eficientes, digitais e resilientes.
O que muda com o protocolo Católica Porto Business School–APLOG
A ideia central do protocolo é simples: aproximar quem investiga logística de quem vive a logística todos os dias.
De um lado, a Católica Porto Business School, com experiência em ensino, investigação aplicada, analytics e gestão. Do outro, a APLOG, que reúne profissionais, empresas e projetos reais em toda a cadeia de abastecimento, do produtor ao consumidor final.
Objetivos principais da parceria
O protocolo está desenhado para três frentes muito claras:
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Formação executiva com condições preferenciais para associados APLOG
Programas focados em logística, supply chain, transportes e comércio internacional, com acesso facilitado a:- cursos de curta duração para atualização rápida de competências;
- programas executivos mais extensos (por exemplo, gestão da cadeia de abastecimento, liderança operacional);
- formações orientadas para tecnologias emergentes, como IA na logística, análise de dados e automação.
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Criação de soluções formativas alinhadas com a realidade das empresas
Não se trata de reciclar programas académicos. A lógica é co-construir conteúdos com base em desafios reais:- reorganização de redes logísticas;
- otimização de rotas e custos de transporte;
- integração de sistemas, WMS, TMS e ERPs;
- sustentabilidade e descarbonização.
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Promoção e disseminação de conhecimento em logística em Portugal
Através de estudos, eventos, seminários, podcasts e casos de estudo com impacto direto na prática das empresas.
A consequência é clara: as empresas ganham acesso a conhecimento atual e aplicável, e a academia ganha terreno para testar e validar modelos em contexto real.
Porque é que isto interessa às empresas logísticas em Portugal
Há uma realidade que muita gente tenta ignorar: a escassez de talento logístico já é um travão ao crescimento. Vários estudos europeus apontam a logística e o transporte como um dos setores com maior dificuldade em recrutar perfis qualificados — e Portugal não foge à regra.
Desafios atuais da logística portuguesa
Alguns dos problemas que ouço recorrentemente em empresas portuguesas:
- equipas de armazém com forte experiência prática, mas pouca formação em dados, processos ou melhoria contínua;
- gestores de transporte sem ferramentas para lidar com volatilidade de preços, janelas de entrega apertadas e exigência de visibilidade em tempo real;
- cadeias de abastecimento ainda muito reativas, com fraca integração entre compras, produção, logística e comercial.
Tudo isto acontece ao mesmo tempo que cresce a pressão sobre:
- custos (combustíveis, mão-de-obra, imobiliário logístico);
- serviço ao cliente (e-commerce, entregas rápidas, maior variedade de produtos);
- sustentabilidade (emissões, embalagens, eficiência energética).
Não há tecnologia que resolva isto sozinha. É preciso gente preparada.
Como esta parceria pode ajudar, na prática
O protocolo Católica Porto–APLOG pode ser usado de forma muito pragmática por empresas e profissionais:
- Atualizar gestores intermédios em temas como planeamento de procura, S&OP, otimização de inventários e gestão de risco;
- Criar carreiras atrativas em logística, com percursos formativos claros suportados por entidades reconhecidas;
- Dar ao diretor de logística ferramentas de gestão (financeira, estratégica, de pessoas) que muitas vezes faltam a quem “cresceu” a partir da operação;
- Apoiar a transição digital das operações, desde a introdução de WMS/TMS até projetos de IA e automação.
Quem aproveitar esta ponte academia–empresa com estratégia vai ficar do lado certo da curva quando a procura por talento especializado disparar ainda mais.
IA na logística portuguesa: onde entra esta parceria
Campanhas como “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor” fazem todo o sentido neste contexto. A IA não é um luxo teórico: é uma resposta direta a dores muito concretas da operação.
Exemplos de aplicação de IA na cadeia de valor
Algumas aplicações já viáveis hoje em muitas empresas portuguesas:
- Previsão de procura (demand forecasting) com modelos que combinam histórico de vendas, sazonalidade, promoções e fatores externos (clima, eventos, etc.);
- Otimização de rotas com algoritmos que ajustam automaticamente percursos em função de trânsito, janelas horárias e custos por quilómetro;
- Gestão de stocks inteligente, sugerindo transferências entre armazéns, encomendas ideais e níveis de segurança;
- Deteção de anomalias na operação (por exemplo, tempos de carga/descarga fora do normal, falhas recorrentes em determinadas rotas ou clientes);
- Assistentes digitais para apoiar equipas de planeamento e serviço ao cliente, reduzindo tarefas manuais e tempo de resposta.
Onde a formação faz toda a diferença
A verdade é que muitas empresas querem “IA na logística”, mas:
- não têm dados minimamente estruturados;
- não sabem por onde começar;
- ou tentam saltar etapas, comprando tecnologia sem mudar processos nem capacitar pessoas.
É aqui que uma parceria como esta ganha peso. Um programa executivo bem desenhado pode:
- explicar os fundamentos de IA e analytics sem jargão desnecessário;
- mostrar casos concretos em contexto português, não apenas exemplos de multinacionais lá fora;
- ajudar a desenhar um roadmap realista de digitalização logística;
- formar perfis híbridos: gente que percebe da operação e sabe falar a linguagem dos dados.
Sem esta camada de competências, a IA acaba guardada “na gaveta” ou limitada a pilotos que nunca escalam.
Como um profissional ou empresa pode aproveitar o protocolo
Responder à pergunta “e o que faço com isto amanhã?” é fundamental. Vamos a isso.
Para profissionais de logística e supply chain
Se trabalha em logística, transportes, compras, planeamento ou supply chain, esta parceria abre várias oportunidades concretas:
- Negociar com a sua empresa um plano de desenvolvimento ancorado em formações certificadas e reconhecidas no mercado;
- Focar módulos específicos (por exemplo, IA aplicada à logística, métricas e KPIs de supply chain, gestão de risco, logística de e‑commerce);
- Construir posicionamento de carreira: perfil de profissional que junta visão operacional, base analítica e linguagem de negócio.
Um conselho prático: escolha 1 ou 2 problemas reais da sua empresa (por exemplo, ruturas de stock recorrentes ou custos de transporte sem controlo) e use qualquer formação que faça para trabalhar precisamente nesses casos.
Para empresas associadas da APLOG
Do lado das empresas, o protocolo pode ser transformado num verdadeiro plano de capacitação logística:
- Mapear as lacunas de competências na equipa (planeamento, análise de dados, gestão de projetos, automação, etc.);
- Definir grupos-alvo: chefias intermédias, jovens quadros, diretores de operações, etc.;
- Escolher programas executivos alinhados com o plano de negócio: expansão internacional, aumento de capacidade, reconfiguração de rede, digitalização;
- Ligar formação a projetos internos concretos: cada participante traz um desafio da empresa, trabalha-o no programa e volta com um plano de ação.
Empresas que fazem isto de forma estruturada deixam de ver formação como custo e passam a tratá-la como investimento em eficiência e competitividade.
Tendências para 2026: o que esperar da logística em Portugal
Se olhar para o Plano de Atividades da APLOG e para a agenda das escolas de negócios portuguesas, a direção é clara: mais conhecimento aplicado, mais tecnologia e mais foco em sustentabilidade.
Algumas tendências muito prováveis para 2026:
- Avaliação mais rigorosa de desempenho logístico, com KPIs claros e dashboards acessíveis a toda a gestão;
- Integração crescente de IA em planeamento de procura, routing e gestão de stocks;
- Mais colaboração entre empresas, partilha de capacidade (armazéns, transporte) e projetos conjuntos de logística urbana;
- Foco em talento: guerra para atrair e reter profissionais que percebam tanto de processo como de tecnologia.
Neste cenário, parcerias como Católica Porto–APLOG não são um evento isolado: são um sinal de maturidade do ecossistema logístico português. Quanto mais empresas entrarem neste movimento, mais rápido o setor avança.
Próximo passo: transformar conhecimento em eficiência real
A colaboração entre a Católica Porto Business School e a APLOG é, na essência, uma ferramenta para acelerar a profissionalização e a digitalização da logística em Portugal. Dá acesso a formação executiva relevante, conhecimento atualizado e uma comunidade de prática ativa.
Para quem trabalha em logística, supply chain ou transportes, o momento é bom para:
- rever competências da equipa;
- escolher temas estratégicos (IA na logística, analytics, planeamento avançado, sustentabilidade);
- alinhar a participação em programas executivos com objetivos claros de melhoria.
A pergunta já não é se a logística portuguesa vai mudar, mas quem vai liderar essa mudança. Quem conseguir combinar experiência operacional, conhecimento académico aplicado e uso inteligente de tecnologia — incluindo IA — terá uma vantagem séria nos próximos anos.