Como a IMPETUS usa automação e IA para dobrar a eficiência logística

Inteligência Artificial para Empresas PortuguesasBy 3L3C

Como a IMPETUS dobrou capacidade e eficiência logística com AutoStore, Smartpick, WMS e IA, e o que outras empresas portuguesas podem aprender com este caso.

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Como a IMPETUS usa automação e IA para dobrar a eficiência logística

Quando um grupo têxtil português com mais de 50 anos de história decide automatizar todo o fluxo de materiais, não é só uma atualização tecnológica. É um sinal claro de onde está a caminhar a logística em Portugal.

O Grupo IMPETUS, sediado em Esposende, montou com a Smartlog uma solução intralogística que junta AutoStore, robôs Smartpick e WMS Galys num único ecossistema, totalmente integrado com o ERP. O resultado: mais capacidade, menos erros, melhor rastreabilidade e uma operação preparada para crescer sem esgotar pessoas nem espaço.

Este caso é particularmente relevante para quem gere armazéns, produção ou operações logísticas em Portugal. Mostra como automação e IA na logística deixam de ser teoria e passam a números concretos: contentores, movimentos por hora, turnos 24/7 e decisões em tempo real.

Neste artigo vou explicar, em linguagem prática:

  • Como está estruturada a solução da IMPETUS
  • Que problemas de negócio resolveu
  • Que métricas melhoraram (e porquê)
  • O que outras empresas portuguesas podem copiar já desta abordagem

1. O desafio: logística têxtil em modo 24/7

Na logística têxtil, quem não controla fluxo e rastreabilidade fica rapidamente para trás. A IMPETUS lida com um contexto muito exigente:

  • Elevada rotação de produtos e coleções
  • Grande variabilidade de referências (modelos, tamanhos, cores, linhas técnicas)
  • Necessidade de sincronizar produção, WIP e expedição
  • Espaço físico limitado, que obriga a otimizar cada m³
  • Operação em três turnos, praticamente 24/7

A pressão não é só operacional. É também comercial:

  • Clientes nacionais e internacionais esperam entregas rápidas e precisas
  • Marcas de moda e desporto exigem rastreabilidade completa: de que linha saiu o produto, que lote, quando, para onde foi

A operação anterior tinha limitações típicas de muitos armazéns em Portugal:

  • Fluxos com muita movimentação manual entre produção, armazém e expedição
  • Dificuldade em sincronizar WIP (work in progress) com necessidades reais das linhas
  • Espaço esgotado ou mal aproveitado
  • Erros de picking que depois rebentam no serviço ao cliente

Aqui está o ponto-chave: a IMPETUS não procurava apenas “robots”. Procurava estabilidade operacional, escalabilidade e dados fiáveis para decidir.


2. A arquitetura da solução: AutoStore + Smartpick + Galys WMS

A solução da Smartlog para o Grupo IMPETUS cobre todo o fluxo de materiais, desde o início do fabrico até à expedição.

2.1. Smartpick como “pulmão” intermédio da produção

O processo começa no início do fabrico:

  • As caixas entram no sistema Smartpick, que funciona como um pulmão intermédio (WIP)
  • Este pulmão absorve variações entre ritmo de produção e capacidade de consumo das fases seguintes

Dados chave do Smartpick:

  • Gestão contínua de 2.640 caixas, entradas e saídas 24h por dia
  • 2 robots de carga e descarga (com redundância)
  • 2 transportadores com 40 posições de buffer cada
  • Estrutura vertical de 12 níveis, aproveitando a altura do armazém

Na prática, o Smartpick garante que as linhas de produção não param por falta de materiais intermédios, nem enchem corredores com paletes à espera de serem usadas.

2.2. AutoStore para produto acabado e preparação de encomendas

Depois do WIP, o produto acabado vai para o AutoStore, que assume duas funções críticas:

  1. Armazenamento de alta densidade
  2. Preparação de pedidos para picking e expedição

Configuração do AutoStore na IMPETUS:

  • GRID com 13.774 posições brutas
  • 12.000 contentores de 330 mm de altura
  • 8 robots que executam mais de 1.700 movimentos diários
  • Fluxo até 212 apresentações por hora nas estações
  • 3 estações de picking tipo carrossel
  • 2 postos conveyor de entrada

Isto traduz-se em algo muito simples do ponto de vista de negócio: mais capacidade de armazenamento no mesmo espaço físico e picking muito mais rápido e previsível.

2.3. Galys WMS como “cérebro” da operação

Tanto o AutoStore como o Smartpick são coordenados pelo Galys WMS, que está integrado com o ERP da IMPETUS.

O WMS faz:

  • Gestão de ordens de preparação em tempo real
  • Sincronização de stocks e movimentos com o ERP
  • Rastreabilidade completa de cada unidade armazenada
  • Priorização inteligente de tarefas para absorver picos de procura

A interface é tátil e com filtros personalizáveis, o que reduz curva de aprendizagem e facilita o trabalho diário de supervisores e operadores.


3. Resultados: de métricas técnicas a impacto no negócio

A grande questão não é “quantos robots há no armazém”, mas o que mudou na operação. No caso da IMPETUS, há ganhos concretos.

3.1. Capacidade, produtividade e erros

Segundo o comunicado da própria empresa, a solução permite:

  • Duplicar a capacidade de armazenamento face a soluções tradicionais
  • Eliminar deslocações na preparação de pedidos (o sistema traz o produto ao operador, não o contrário)
  • Garantir rastreabilidade completa de todos os movimentos
  • Reduzir erros operacionais no picking e na expedição

Isto reflete-se em KPIs claros:

  • Menos horas de picking por linha de encomenda
  • Menos devoluções por erro de envio
  • Mais linhas preparadas por operador/hora

3.2. Flexibilidade para picos e operação 24/7

O AutoStore, com 8 robots e capacidade de 212 apresentações por hora, permite absorver picos de fim de coleção, saldos, Black Friday e campanhas específicas sem ter de contratar equipas temporárias em excesso.

Em paralelo, o Smartpick mantém o abastecimento à produção estável, mesmo em regime de:

  • Três turnos operacionais
  • Trabalhos 24 horas/dia em entradas e saídas de WIP

A modularidade do sistema traz outra vantagem forte:

  • Possibilidade de manutenção sem paragens globais
  • Espaço para crescimento futuro, adicionando robots ou expandindo o GRID

3.3. Segurança, ergonomia e sustentabilidade

Menos deslocações manuais e menos movimentação de cargas em empilhadores significam:

  • Redução de risco de acidentes no armazém
  • Postos de trabalho mais ergonómicos, com produtos a chegar à altura e posição certa
  • Operação mais sustentável, com menor consumo energético por unidade expedida

Para um grupo que se posiciona na inovação e sustentabilidade, esta parte não é cosmética: é estratégica.


4. O que outras empresas portuguesas podem aprender com a IMPETUS

Este caso não é apenas sobre têxtil. É sobre como abordar um projeto de automação logística em Portugal de forma madura.

4.1. Começar pelo fluxo de materiais, não pela tecnologia

Muita empresa começa ao contrário: escolhe a tecnologia primeiro e tenta encaixar o processo depois. A IMPETUS fez o que considero o caminho certo:

  1. Clarificar problemas de negócio: espaço, rastreabilidade, turnos, variabilidade, serviço ao cliente
  2. Mapear fluxos de materiais: produção → WIP → produto acabado → expedição
  3. Só depois encaixar tecnologias complementares (Smartpick + AutoStore + WMS)

Se está a planear algo semelhante, faça estas perguntas antes de falar em robots:

  • Onde estão os maiores estrangulamentos da operação hoje?
  • Que dados de rastreabilidade os clientes já pedem (ou vão pedir em 1-2 anos)?
  • Em que zonas o espaço está esgotado, mas a altura está livre?

4.2. Apostar na integração WMS + ERP desde o dia zero

A integração entre Galys WMS e o ERP da IMPETUS é um dos pilares do projeto. Sem isso, teria um sistema rápido a movimentar caixas, mas cego do ponto de vista de gestão.

Boas práticas que se podem retirar daqui:

  • Definir logo quem é a “fonte de verdade” para stocks: ERP ou WMS
  • Desenhar fluxos claros para receção, produção, devoluções, inventários
  • Garantir que o WMS suporta operações em tempo real, não apenas batch

Quando a integração é pensada de raiz, evita-se anos de remendos e Excel paralelos.

4.3. Ver a automação como investimento estratégico, não como custo

A direção da IMPETUS, pela voz de Ricardo Figueiredo (Vice-President of the Board), foi clara: este projeto é um salto tecnológico e qualitativo na gestão logística, para responder ao cliente com mais agilidade, eficiência e precisão.

Ou seja, a lógica não é “quanto custa um robot”, mas:

  • Quanto custa não ter capacidade para novos clientes?
  • Quanto custa errar encomendas em mercados internacionais?
  • Quanto custa parar produção por falta de WIP certo no momento certo?

As empresas que encaram a automação apenas como “redução de headcount” raramente tiram o verdadeiro valor destes projetos. O foco deve estar em ganhar elasticidade, fiabilidade e dados de qualidade.


5. IA na logística portuguesa: próximo passo depois da automação

A solução da IMPETUS já incorpora lógica avançada de gestão via WMS, mas há uma tendência clara para os próximos anos: usar IA em cima destes sistemas automatizados.

Quando já existe:

  • Armazém automatizado (AutoStore, sistemas de transporte, robôs)
  • WMS e ERP bem integrados
  • Dados fiáveis de movimentos, volumes e tempos

… fica muito mais simples ativar casos de uso de inteligência artificial na logística, por exemplo:

  • Previsão de procura por referência, canal e cliente
  • Otimização de reposição automática de WIP e produto acabado
  • Simulações de cenários (novas coleções, picos sazonais, expansão de canais online)
  • Recomendações de layout e configuração do GRID para reduzir tempos médios de acesso

Na campanha “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor”, este tipo de caso real é precisamente o ponto de partida ideal: primeiro arruma-se a casa com automação e WMS; depois escala-se o valor com IA.


Conclusão: por onde começar se quer um “salto IMPETUS” na sua logística

O projeto da IMPETUS mostra que automação intralogística bem pensada consegue:

  • Dobrar capacidade de armazenamento
  • Reduzir drasticamente erros e deslocações
  • Garantir rastreabilidade total
  • Preparar a empresa para IA e decisões em tempo real

Se está a gerir uma operação logística em Portugal e se revê nestes desafios, o caminho prático passa por:

  1. Mapear o fluxo atual de materiais, com dados (volumes, tempos, erros)
  2. Identificar onde a automação traz mais retorno: WIP, produto acabado, picking, expedição
  3. Escolher um parceiro que consiga integrar tecnologia, WMS e ERP, não apenas vender hardware
  4. Pensar no projeto como infraestrutura estratégica para os próximos 10 anos, não como gasto de um ano

A logística portuguesa está a entrar numa nova fase, em que quem combina automação inteligente com IA vai ganhar uma vantagem competitiva difícil de recuperar. A pergunta já não é se vale a pena automatizar, mas quanto tempo pode a sua operação esperar sem dar este passo.

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