“Just In Time”: o podcast que está a mexer com a Supply Chain

IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de ValorBy 3L3C

O “Just In Time”, novo podcast da APLOG, torna a supply chain e a IA na logística portuguesas mais práticas, acessíveis e acionáveis para empresas reais.

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“Just In Time”: o podcast que está a mexer com a Supply Chain e a IA na logística

Mais de 70% dos custos logísticos em muitas empresas portuguesas continuam escondidos em falhas de planeamento, ruturas de stock e transportes mal otimizados. Ao mesmo tempo, fala-se cada vez mais de Inteligência Artificial na logística, previsão de procura, algoritmos de rotas e armazéns automatizados. O problema? Muitos decisores sentem que a tecnologia avança mais depressa do que a sua capacidade de a acompanhar.

É aqui que o novo projeto da APLOG — o podcast “Just In Time” — faz toda a diferença. Não é só “mais um podcast”: é um canal focado em supply chain, logística em Portugal e tendências como a IA explicado por quem está no terreno. Para quem lidera operações, gere armazéns, transportes ou trabalha em planeamento, isto é ouro sobre azul.

Neste artigo da série “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor”, vou mostrar-te porque é que este podcast é estratégico para o setor, como o podes usar para acelerar a transformação digital da tua cadeia de abastecimento e que tipo de temas ligados à Inteligência Artificial na supply chain já não podes ignorar em 2025.


Porque é que a logística portuguesa precisa de um podcast como o “Just In Time”

O “Just In Time”, lançado pela APLOG – Associação Portuguesa de Logística, nasce com um objetivo muito claro: partilhar conhecimento prático sobre supply chain, num formato acessível e alinhado com os desafios reais das empresas em Portugal.

A proposta é simples:

  • Reunir especialistas, líderes de opinião e profissionais de logística e transportes;
  • Falar de tendências, desafios e oportunidades na cadeia de abastecimento;
  • Ligar teoria, tecnologia e prática — desde conceitos clássicos de JIT até IA aplicada à logística.

Os episódios são divulgados mensalmente nos canais digitais da APLOG, como LinkedIn, Spotify, YouTube e no próprio website. Ou seja, estão onde os profissionais já passam tempo: seja a caminho de um cliente, numa viagem entre armazéns ou a trabalhar em casa.

A grande mais-valia do “Just In Time” é ser um espaço contínuo de aprendizagem, em português e com foco na realidade nacional.

Num contexto em que as cadeias de abastecimento lidam com:

  • custos de energia e transporte instáveis;
  • pressões de serviço “next day” e mesmo “same day” em algumas cidades;
  • necessidade de previsão de procura mais fiável;
  • escassez de talento logístico bem preparado;

ter um canal fixo a falar destes temas, com um pé na operacionalidade e outro na inovação (incluindo IA), é mais do que bem-vindo. É necessário.


O que torna o “Just In Time” relevante para quem está a apostar em IA na logística

Se estás a acompanhar esta série sobre IA na logística portuguesa, sabes que não faltam buzzwords: machine learning, otimização, previsão, automação, digital twins. O desafio é traduzi-las em resultados concretos dentro de empresas reais, com orçamentos reais e equipas reais.

O “Just In Time” encaixa aqui como uma peça de ponte entre teoria e prática. Eis porquê.

1. Traz contexto português para temas globais

Pode-se falar de otimização de rotas com IA usando exemplos da Amazon ou da DHL, mas a realidade de uma PME em Aveiro ou de um operador logístico na Maia é outra: frotas mais pequenas, margens apertadas, decisões muitas vezes centralizadas no diretor-geral.

Um podcast liderado pela APLOG tende a trazer:

  • exemplos de empresas portuguesas que estão a aplicar IA na logística;
  • adaptações ao contexto de infraestrutura ibérica e portos nacionais;
  • impactos de regulamentação europeia em transportes e dados.

Isto é decisivo para transformar conceitos em roadmaps concretos para as empresas.

2. Ajuda a identificar prioridades tecnológicas

Muita gente pergunta: “Por onde começo com IA na minha cadeia de abastecimento?”

Os temas típicos que um podcast como o “Just In Time” pode (e deve) abordar ajudam a organizar o pensamento:

  • Previsão de procura com IA: quando faz sentido? que dados são necessários?
  • Gestão de armazéns inteligente: análise de layouts, picking orientado por algoritmos, priorização de tarefas;
  • Planeamento de transportes: rotas dinâmicas, agrupamento de cargas, redução de quilómetros em vazio;
  • Monitorização em tempo real: visibilidade end-to-end com sensores, IoT e modelos de previsão de risco.

Ouves um episódio de 30–40 minutos, sais com 2 ou 3 ideias claras e começas a fazer perguntas mais inteligentes aos teus fornecedores de tecnologia e à tua própria equipa.

3. Cria linguagem comum dentro da organização

Outro ponto subestimado: ter toda a equipa a falar a mesma língua. Quando o diretor logístico, o responsável de IT, o gestor de transporte e o controller financeiro ouvem os mesmos conteúdos, mesmo que em momentos diferentes, a conversa interna melhora:

  • deixa de ser “a moda da IA” e passa a ser projeto com impacto em KPIs;
  • reduz-se a resistência com exemplos reais de outras empresas portuguesas;
  • facilita-se a aprovação de pilotos, POCs e investimentos.

A verdade é simples: formar por podcast custa pouco e rende muito, se escolheres bem o que ouvir.


Como usar o podcast “Just In Time” para acelerar a eficiência da tua cadeia de valor

Não basta subscrever um podcast; é preciso integrá-lo na forma como a organização aprende e decide. Aqui vão formas práticas de tirar partido do “Just In Time”.

Criar rituais de aprendizagem na equipa

Funciona muito bem em operadores logísticos, retalho, indústria e transportadoras:

  1. Selecionar 1 episódio por mês relevante para os desafios atuais (por exemplo, resiliência de supply chain, IA em previsão de procura, talento em logística);
  2. Pedir a 3 pessoas de áreas diferentes que o ouçam (operações, IT, financeiro, por exemplo);
  3. Marcar uma reunião curta de 30 minutos para:
    • listar 3 ideias aplicáveis à empresa;
    • identificar 1 pequena experiência que se possa testar em 30 dias;
    • associar a experiência a um indicador (lead time, rotura, km percorridos, etc.).

Ao fim de 6 meses, tens uma sequência de micro-experiências que, somadas, podem representar ganhos relevantes de eficiência.

Alinhar o podcast com a estratégia de IA na logística

Se a tua empresa já está a preparar um plano de IA na cadeia de abastecimento, usa o podcast como fonte complementar:

  • Episódios sobre tendências ajudam a validar se o vosso roadmap está atualizado;
  • Conversas sobre talento logístico apoiam o plano de formação interna;
  • Debates sobre resiliência ligam-se ao desenho de redes de distribuição mais robustas.

A lógica é simples: em vez de consumires conteúdo aleatório, passas a usar um canal curado pela APLOG, alinhado com os desafios do setor em Portugal.

Usar episódios como apoio à mudança cultural

Qualquer projeto de IA ou automação logística implica mudança cultural: novas formas de trabalhar, decisões baseadas em dados, maior colaboração entre equipas.

Um podcast é um aliado discreto mas poderoso:

  • pode ser partilhado num grupo interno;
  • pode servir de pontapé de saída para workshops internos;
  • permite dar voz a líderes do setor, que reforçam a credibilidade da mudança.

Quando um operador de armazém percebe, através de um testemunho num podcast, que o picking guiado por algoritmos facilitou a vida a colegas noutra empresa, a resistência baixa. A mudança deixa de ser abstrata.


IA, resiliência e talento: temas que o “Just In Time” não pode ignorar

O comunicado da APLOG já revelou outras iniciativas recentes que se articulam bem com o podcast: novos associados, estudos de talento e parcerias com escolas de negócios. Tudo isto encaixa numa narrativa clara: profissionalizar ainda mais a logística portuguesa, com a IA como uma das alavancas centrais.

Há pelo menos três temas que, na minha opinião, o “Just In Time” tem de abordar com profundidade.

1. Resiliência da supply chain em tempos voláteis

A APLOG já trouxe à discussão a resiliência na supply chain: da prevenção à vantagem competitiva. Aqui, a IA entra em força:

  • modelos de previsão de risco em fornecedores e rotas;
  • simulação de cenários (what-if) para roturas, greves, picos de procura;
  • recomendação automática de alternativas logísticas.

A cadeia de abastecimento deixa de reagir ao caos e passa a antecipar ruturas.

2. Desafios de talento em logística e transportes

O estudo “Desafios de Talento em Logística e Transportes”, desenvolvido com a ManpowerGroup, mostra algo que todos sentimos: falta gente qualificada, tanto na operação como na gestão.

A IA acrescenta uma camada extra:

  • novas funções (data analyst de supply chain, gestor de projetos de IA, especialistas em otimização);
  • necessidade de requalificar quem hoje faz planeamento manual;
  • importância de competências híbridas: conhecer operação + compreender dados.

Um podcast que traga histórias reais de requalificação, boas práticas de formação e exemplos de empresas que conseguiram subir a fasquia do talento é uma ferramenta valiosa para RH e direções de operações.

3. Colaboração entre academia, associações e empresas

A parceria entre Católica Porto Business School e APLOG para potenciar conhecimento em logística mostra o caminho: juntar academia, empresas e associações para transformar dados e investigação em projetos aplicados.

O “Just In Time” pode ser a face mais visível desta colaboração, dando palco a:

  • investigadores que trabalham em modelos de previsão de procura ou otimização de redes;
  • empresas que testam pilotos de IA em armazéns, transporte urbano ou logística de frio;
  • estudantes de mestrado que trazem perspetivas frescas e dados recentes.

Resultado: quem ouve o podcast não fica só com conceitos — fica com casos concretos e caminhos possíveis para a sua própria organização.


Próximo passo: transformar conhecimento em ação

A logística portuguesa está num ponto de viragem: ou continua a tratar a IA na supply chain como um tema “para mais tarde”, ou assume que a competitividade dos próximos 3 a 5 anos depende de decisões tomadas agora.

O podcast “Just In Time” é uma peça prática desse puzzle: oferece conhecimento contínuo, em português, focado em supply chain, com espaço para discutir eficiência, automação, previsão e talento. Sozinho não resolve nada — mas pode ser o gatilho que faz uma direção avançar com um piloto de IA, que inspira um gestor de armazém a redesenhar processos ou que ajuda um operador logístico a repensar rotas.

Se fazes parte da comunidade logística — seja como gestor, operador, estudante ou fornecedor tecnológico — o convite é simples: inclui o “Just In Time” na tua rotina de aprendizagem e, mais importante ainda, escolhe um episódio, uma ideia e um pequeno teste para aplicar nos próximos 30 dias.

A eficiência na cadeia de valor portuguesa não vai chegar por magia. Vai nascer de mil pequenas decisões informadas. Este podcast pode ser o ponto de partida da próxima.