Como a IMPETUS usa IA e AutoStore para dobrar a eficiência

IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de ValorBy 3L3C

Como o Grupo IMPETUS usou AutoStore, robótica e WMS inteligente para duplicar capacidade de armazenamento e ganhar eficiência na logística têxtil em Portugal.

IA na logísticaautomatização intralogísticaAutoStoreWMSSmartlogGrupo IMPETUSlogística têxtil
Share:

Featured image for Como a IMPETUS usa IA e AutoStore para dobrar a eficiência

IA na intralogística: o salto que muitas empresas ainda adiam

A maioria das empresas industriais em Portugal continua a gerir o armazém como em 2005, enquanto o mercado lhes exige resposta em 2025. O Grupo IMPETUS decidiu não ficar nesse grupo.

Ao automatizar o fluxo de materiais com tecnologias da Smartlog – integrando AutoStore, robótica Smartpick e WMS com inteligência – a IMPETUS não só duplicou a capacidade de armazenamento como reforçou rastreabilidade, segurança e agilidade operacional. Este caso é um bom exemplo de como IA na logística portuguesa deixa de ser buzzword e passa a ser vantagem competitiva concreta.

Neste artigo da série “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor”, uso o projeto da IMPETUS para mostrar, na prática, como uma operação têxtil de elevada rotação pode transformar a sua intralogística. E, sobretudo, o que isto significa para a sua empresa: onde ganhar produtividade, como justificar o investimento e que papel a inteligência artificial pode ter neste tipo de solução.


1. O desafio logístico da indústria têxtil portuguesa

O ponto de partida é simples: a intralogística têxtil é brutalmente exigente.

O Grupo IMPETUS, com sede em Esposende e mais de 50 anos na fileira têxtil, enfrentava um conjunto de desafios típicos do setor, mas em escala internacional:

  • Rotação muito elevada de produtos e coleções
  • Gestão de milhares de referências com grande variabilidade
  • Necessidade de sincronizar produção, WIP (work in progress) e expedição em três turnos
  • Espaço físico limitado, que obriga a extrair cada centímetro cúbico disponível
  • Pressão crescente de clientes por prazos curtos, 0 erros e rastreabilidade total

A logística tradicional baseada em estanteria, empilhadores e picking manual começava a ser um travão, não apenas um custo. Quando o armazém deixa de acompanhar a produção, aparecem sintomas conhecidos:

  • Stock “perdido” em prateleiras
  • Picos de trabalho que obrigam a horas extra
  • Equipas exaustas a andar quilómetros por turno
  • Erros de preparação que corroem margem e confiança do cliente

A decisão da IMPETUS foi clara: substituir um sistema centrado em pessoas por um modelo centrado em dados e automatizado, em que os operadores passam a gerir exceções em vez de “carregar caixas”.


2. A solução Smartlog: fluxo de materiais totalmente automatizado

O projeto com a Smartlog foi desenhado para cobrir todo o fluxo intralogístico, desde o início da produção até à expedição, com uma arquitetura modular e escalável.

2.1. Smartpick: o “pulmão” inteligente entre produção e armazém

O processo começa logo no início do fabrico. As caixas com produto intermédio são enviadas para o sistema Smartpick, que funciona como um pulmão WIP 100% automatizado:

  • 2 robots de carga e descarga (com redundância)
  • 2 transportadores com 40 posições de buffer cada
  • Estrutura vertical com 12 níveis
  • Operação contínua 24h/dia
  • Capacidade para gerir 2.640 caixas em fluxo constante

Aqui entra a lógica inteligente de sequenciação: o sistema decide que caixas entram, que caixas saem e em que ordem, para garantir que a produção nunca “engasga” por falta de material intermédio. Na prática, é um controlo de fluxo baseado em dados, que reduz paragens e microparagens de linha.

2.2. AutoStore: densidade máxima e picking de alta performance

O produto acabado é enviado para um sistema AutoStore, concebido para maximizar densidade de armazenagem e velocidade de preparação de encomendas:

  • GRID com 13.774 posições brutas
  • 12.000 contentores de 330 mm de altura
  • 8 robots AutoStore
  • 3 estações de picking tipo carrossel
  • 2 postos conveyor de entrada
  • Mais de 1.700 movimentos diários
  • Até 212 apresentações por hora nas estações de trabalho

O AutoStore é, na prática, um “armazém cúbico”. Os robots circulam no topo da estrutura, retiram caixas e entregam-nas nas estações de picking. Os operadores deixam de andar pelo armazém: o produto vem até eles.

Resulta em três ganhos diretos:

  1. Capacidade – a IMPETUS passa a ter o dobro da capacidade de armazenamento face às soluções tradicionais no mesmo espaço.
  2. Performance – o fluxo de 212 apresentações/hora viabiliza picos de procura sem necessidade de aumentar espaço ou criar novos turnos.
  3. Precisão – o sistema “sabe” sempre onde está cada artigo, reduzindo drasticamente erros de inventário e de picking.

2.3. Galys WMS: onde a inteligência acontece

O “cérebro” da solução é o Galys WMS, o sistema de gestão de armazém que orquestra todos os movimentos:

  • Coordena ordens de preparação em tempo real
  • Integra nativamente com o ERP da IMPETUS
  • Garante rastreabilidade completa de cada movimento, caixa e encomenda
  • Oferece interface tátil e filtros personalizáveis, pensados para o dia a dia da operação

É aqui que a IA na logística começa a ganhar forma. Com os dados centralizados e estruturados, torna-se possível:

  • Antecipar congestionamentos de fluxo
  • Priorizar tarefas com base em SLAs, rotas e janelas de corte
  • Otimizar estratégias de reposição automática
  • Monitorizar desvios de produtividade por turno, estação ou artigo

Sem um WMS robusto, AutoStore e robôs seriam apenas “hardware caro”. Com o WMS correto, tornam‑se um sistema vivo, que aprende e melhora.


3. Onde a IA entra na equação (já hoje)

Muita gente associa inteligência artificial apenas a previsões de procura ou chatbots. No contexto intralogístico da IMPETUS, a IA está presente em vários níveis, mesmo que nem sempre sob esse rótulo.

3.1. Otimização de rotas e sequências de picking

No AutoStore, algoritmos decidem:

  • Que robot vai buscar que contentor
  • Que rota usar na malha do GRID
  • Que ordem seguir na apresentação de caixas às estações

Estas decisões são tomadas em milissegundos, com base em dados históricos de fluxo, prioridade das encomendas, distância e carga atual dos robots. É IA aplicada à otimização de movimento, com impacto direto em throughput e consumo energético.

3.2. Gestão dinâmica de stock e espaço

Com 12.000 contentores, a posição de cada SKU não é fixa. O WMS, com regras inteligentes, pode:

  • Aproximar referências de alta rotação das zonas de maior produtividade
  • Rebaixar artigos de baixa rotação para zonas menos acessíveis
  • Ajustar automaticamente estas regras com base na procura real

Na prática, o armazém “reorganiza-se sozinho” ao longo das semanas, com decisões guiadas por dados. Isto é gestão de armazém com algoritmos de otimização e aprendizagem.

3.3. Previsão de capacidade e planeamento de turnos

Com o histórico de movimentos (mais de 1.700/dia no AutoStore, 24h/dia no Smartpick), a IMPETUS passa a conseguir responder a perguntas que muitos armazéns portugueses ainda tratam por intuição:

  • Quantos operadores preciso amanhã para cumprir os SLA de expedição?
  • Quanto tempo vou demorar a escoar um pico de 30% na entrada de encomendas?
  • Que dia e hora tipicamente “rebenta” a operação e onde devo reforçar?

Este tipo de análise – que pode ser feita com modelos preditivos simples – é uma das formas mais diretas de IA na logística portuguesa trazer poupança e estabilidade operacional.


4. Benefícios concretos: da estratégia ao dia a dia do armazém

O comunicado da Smartlog resume os resultados esperados da solução na IMPETUS. Traduzindo para o impacto prático:

4.1. Benefícios operacionais

  • Capacidade de armazenamento duplicada em relação a estanteria tradicional.
  • Eliminação de deslocações longas na preparação de pedidos – menos fadiga, menos acidentes, mais tempo produtivo.
  • Rastreabilidade total: cada movimento fica registado, do WIP à expedição.
  • Redução de erros operacionais, graças a validações automáticas e guiamento do operador.
  • Maior segurança no armazém, menos interação homem/empilhador e menos trabalho físico pesado.

4.2. Benefícios estratégicos

  • Infraestrutura escalável: mais robots, mais contentores, mais estações – crescer passa a ser modular.
  • Capacidade para absorver picos sazonais (saldos, campanhas, novas coleções) sem caos operacional.
  • Posicionamento de referência em automatização intralogística no setor têxtil português.
  • Imagem de inovação junto de clientes internacionais que valorizam eficiência, sustentabilidade e fiabilidade.

Nas palavras de Ricardo Figueiredo, Vice-President of the Board da IMPETUS:

“Estamos certos de que com este investimento daremos um importante salto tecnológico e qualitativo na gestão dos nossos processos logísticos, permitindo-nos responder com maior agilidade, eficiência e precisão às necessidades dos nossos clientes.”

Este tipo de resultado não é exclusivo de grandes grupos. É consequência direta de três decisões claras: automatizar, centralizar dados e aplicar inteligência.


5. O que empresas portuguesas podem aprender com a IMPETUS

Aqui é onde isto se cruza diretamente com a sua realidade e com o objetivo desta série sobre IA na Logística Portuguesa.

5.1. Quando faz sentido avançar para automatização intralogística

Uma solução deste nível começa a fazer sentido quando:

  • O armazém trabalha em 2 ou 3 turnos de forma recorrente
  • Existem picos de trabalho que desestabilizam equipas e serviço
  • O espaço físico está no limite e um novo armazém é uma hipótese cara
  • A variabilidade de referências e rotação torna o controlo manual pouco confiável

Se está em pelo menos dois destes pontos, continuar tudo manual é, na prática, um custo oculto.

5.2. Como preparar o caminho para IA e automação

Mesmo antes de investir em AutoStore ou robótica, há passos que qualquer operador logístico em Portugal pode dar:

  1. Implementar (ou atualizar) um WMS – sem sistema, não há dados; sem dados, não há IA credível.
  2. Normalizar processos – mapas de fluxo, regras de armazenamento, políticas de picking.
  3. Limpar e estruturar dados de produto e clientes – unidades de medida, códigos, lotes, validade.
  4. Começar com projetos-piloto de IA – por exemplo, previsão de procura ou otimização de rotas de distribuição.

Quando chegar a altura de investir em automatização física, metade do trabalho estará feito.

5.3. Onde a IA pode trazer retorno mais rápido

No contexto da cadeia de valor logística em Portugal, vejo três áreas com retorno relativamente rápido:

  • Gestão de armazéns com IA: slotting dinâmico, previsão de rutura, análise de produtividade por operador.
  • Otimização de rotas de transporte: menos quilómetros, menos combustível, melhor cumprimento de janelas horárias.
  • Previsão de procura integrada com produção: reduzir stock parado e ruturas, planeando melhor a capacidade.

O caso IMPETUS mostra que, quando estas peças se alinham, a logística deixa de ser um “centro de custos inevitável” e passa a ser um ativo estratégico na cadeia de valor.


6. Próximos passos: transformar interesse em projeto

Se chegou até aqui, provavelmente já percebeu o essencial: automatização e IA na logística portuguesa deixaram de ser luxo. São, cada vez mais, a condição mínima para competir num mercado em que clientes nacionais e internacionais comparam tempos de entrega ao segundo.

O exemplo da IMPETUS com a Smartlog mostra que é possível:

  • Automatizar o fluxo completo de materiais, do WIP à expedição
  • Integrar AutoStore, robôs e WMS num único ecossistema
  • Ganhar capacidade, precisão e previsibilidade na mesma operação

O passo seguinte é avaliar onde está a sua empresa neste caminho. Tem dados suficientes? Processos estáveis? Equipa preparada para trabalhar com tecnologia em vez de a contornar?

A boa notícia: a transição não precisa de ser “tudo ou nada”. Começa-se por um armazém, uma zona, um tipo de produto. O importante é não continuar a adiar a decisão.