Como a NACEX usa IA para ganhar a Black Friday

IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de ValorBy 3L3C

Como a NACEX usa IA para crescer 25% na Black Friday sem perder serviço e o que operadores portugueses podem aprender para otimizar rotas, recursos e última milha.

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Como a NACEX usa IA para ganhar a Black Friday

Mostas empresas de logística só se lembram da Black Friday quando os camiões já estão à porta. A NACEX fez o oposto: planeou com meses de antecedência, reforçou operações e, sobretudo, começou a tratar dados e inteligência artificial como parte do processo, não como um extra “tech”.

Este artigo insere‑se na série “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor” e usa o caso da NACEX na Black Friday de 2025 como ponto de partida para algo mais interessante: como operadores em Portugal podem usar IA para preparar picos de procura, otimizar rotas, equilibrar recursos e melhorar a experiência do e‑commerce.

A NACEX anunciou que se preparou para um aumento de 25% na atividade na Black Friday (e mais 10% face à campanha anterior), reforçando equipa, frota e rotas. A pergunta certa não é “quantas carrinhas contrataram?”, mas “como é que sabem que estes reforços são os certos, nos sítios certos, à hora certa?” – é aqui que entra a IA.


O caso NACEX: o que está por trás dos números da Black Friday

O ponto central do caso NACEX é simples: só é possível crescer 25% em volume mantendo níveis de serviço se a operação for previsível e afinada ao detalhe.

De acordo com o anúncio público, a empresa:

  • Previu +25% de atividade face a um período normal
  • Contava com +10% relativamente à Black Friday do ano anterior
  • Reforçou equipa em 30%
  • Acrescentou 90 veículos à frota
  • Implementou 60 rotas estruturais adicionais
  • Aumentou os recursos nos centros de distribuição em 26%
  • Apostou fortemente na rede NACEX.shop (mais de 4.000 pontos em Portugal e Espanha), onde já duplicou envios, que hoje representam 13% das entregas e‑commerce

Estes números não aparecem por acaso. São resultado de modelos de previsão, simulações de capacidade, otimização de rede e cenários “e se…?”. Mesmo que a NACEX não divulgue toda a sua arquitetura tecnológica, o tipo de decisões que toma é típico de operações suportadas por IA e analytics avançados.

“A NACEX.shop é a única forma sustentável de atender o cliente particular durante uma campanha com volumes especialmente elevados.” – Manuel Orihuela, Diretor Geral da NACEX

Na prática, isto quer dizer: sem pontos de conveniência, sem previsões fiáveis e sem otimização de rotas, a operação quebrava.


Onde a IA faz a diferença na preparação da Black Friday

A Black Friday é um “stress test” perfeito para perceber quem já leva a sério a IA na logística. Quem ainda gere tudo em Excel sente logo o impacto: atrasos, horas extra, reclamações e custos que explodem.

1. Previsão de procura para dimensionar equipa e frota

A NACEX anuncia reforços muito específicos (30% equipa, 90 veículos, 26% recursos em plataformas). Isso só faz sentido se assentar em previsões de procura baseadas em dados históricos e sinais em tempo real.

Modelos de IA conseguem:

  • Cruzar históricos de Black Friday, Natal e saldos com:
    • Crescimento do e‑commerce por segmento
    • Campanhas dos principais clientes
    • Tendências macro (inflação, poder de compra, meteorologia)
  • Estimar picos por dia e por janela horária
  • Detalhar volumes por zona geográfica, tipo de serviço e canal (domicílio vs ponto de conveniência)

Com isto, a empresa deixa de fazer “achismos” e passa a responder a perguntas concretas:

  • Quantos estafetas adicionais preciso no Grande Porto entre 25/11 e 03/12?
  • Em que dia específico a curva de volumes vai ao máximo?
  • Quantas horas de operação extra em cada hub para absorver o pico sem colapsar?

Sem este nível de detalhe, aumentos de 25% na atividade tornam‑se um risco sério para a qualidade de serviço.

2. Otimização de rotas: 60 rotas adicionais… mas bem desenhadas

Criar 60 rotas estruturais adicionais só traz valor se forem rotas inteligentes.

Soluções de IA e algoritmos de otimização (VRP, heurísticas, machine learning) conseguem:

  • Desenhar rotas que minimizam quilómetros e tempo parado
  • Considerar janelas horárias de clientes e pontos NACEX.shop
  • Ajustar em tempo quase real com base em trânsito, incidentes e atrasos acumulados
  • Equilibrar carga entre motoristas, evitando que uns acabem às 13h e outros às 22h

Para a realidade portuguesa, onde há grande concentração de volume em áreas urbanas (Lisboa, Porto, Braga, Faro) mas também uma malha densa no interior, isto é crucial. A IA ajuda a decidir:

  • Quando compensa criar rotas urbanas ultra‑curtas com muitos pontos de entrega
  • Quando é melhor rotas mistas que ligam periferia e semi‑urbano
  • Que rotas devem estar associadas a veículos mais pequenos ou elétricos para reduzir restrições de circulação e emissões

NACEX.shop e a inteligência por trás dos pontos de conveniência

A frase mais forte do anúncio da NACEX é esta: “A NACEX.shop é a única forma sustentável de atender o cliente particular durante uma campanha com volumes especialmente elevados.”

Isto não é só uma opinião: é uma estratégia de reconfiguração da última milha com apoio de IA.

Porque é que os pontos de conveniência são ideais para a IA?

Os pontos NACEX.shop trazem três vantagens claras para qualquer modelo de otimização:

  1. Menos tentativas falhadas – o ponto está sempre disponível dentro do horário definido
  2. Maior densidade de entregas – dezenas de encomendas descarregadas num só local
  3. Padrões de comportamento repetitivos – horários de levantamento, sazonalidade, volume por dia da semana

Tudo isto gera dados altamente estruturados, perfeitos para IA. Com esses dados, um operador pode:

  • Prever quantos envios vão entrar e sair de cada ponto por dia e por hora
  • Ajustar rotas de abastecimento de pontos (drop & pick up)
  • Otimizar horários de recolha de devoluções – algo crítico quando, como na NACEX, as devoluções triplicam em certos períodos

A NACEX já vê resultado:

  • Envios via NACEX.shop duplicaram
  • Estes envios são 13% das entregas de e‑commerce
  • A empresa prevê +80% de crescimento de envios via NACEX.shop durante a campanha face à média anual

Não é só conveniência; é uma forma mais inteligente e sustentável de gerir recursos.

Sustentabilidade: IA a favor de menos quilómetros e menos CO₂

Quando mais encomendas são entregues em pontos de conveniência em vez de domicílios dispersos, acontece algo simples:

  • Menos quilómetros totais percorridos
  • Menos tempo ao volante em contexto urbano
  • Menos CO₂ por encomenda entregue

Modelos de IA podem quantificar isto de forma concreta:

  • Estimar emissões por rota e por tipo de entrega
  • Simular cenários: “Se 20% dos envios passarem para pontos NACEX.shop, qual a redução de emissões?”
  • Sugerir ao cliente final a opção mais sustentável com base na localização real

É aqui que a IA deixa de ser um tema técnico e passa a ser também uma ferramenta de ESG para operadores logísticos portugueses.


Como operadores em Portugal podem aplicar estas lições

O caso NACEX mostra o caminho, mas não é exclusivo de grandes operadores. Mesmo empresas de logística médias em Portugal podem aplicar o mesmo raciocínio, passo a passo.

1. Começar pela previsão de volumes

Não precisa de um “mega projeto” para melhorar a previsão de procura. Um roteiro pragmático:

  1. Organizar dados históricos: volumes diários, por cliente, por zona, por serviço
  2. Marcar picos (Black Friday, Natal, saldos, campanhas específicas de grandes clientes)
  3. Usar modelos simples de machine learning (até em ferramentas em nuvem) para prever volumes por dia e por região
  4. Definir regras de decisão: “Se a previsão ultrapassar X encomendas/dia em determinada região, ativar Y recursos adicionais”

O objetivo não é acertar à unidade, mas reduzir o erro de previsão o suficiente para contratar recursos com confiança.

2. Otimizar rotas de última milha

Mesmo sem uma grande equipa de data science, há formas práticas de usar IA/algoritmos para rotas:

  • Adotar software de otimização de rotas com IA integrada
  • Integrar o TMS/WMS com estes motores de cálculo para gerar rotas diárias automatizadas
  • Medir indicadores como:
    • Entregas/hora por rota
    • Km por encomenda
    • Custo por rota

O que interessa é que a empresa comece a comparar rotas calculadas por IA vs rotas desenhadas “à mão”. Na maioria dos casos, a poupança em quilómetros e tempo é imediata.

3. Estruturar uma rede de pontos de conveniência ou lockers

Nem todos conseguem criar uma rede como a NACEX.shop de um dia para o outro, mas é possível:

  • Parcerias com lojas locais e redes de retalho
  • Integração com redes de lockers existentes
  • Teste piloto em 2‑3 cidades com maior densidade de e‑commerce

Depois, usar IA para responder a perguntas concretas:

  • Quais bairros geram mais falhas de entrega em domicílio?
  • Onde estão os “buracos” geográficos sem pontos de conveniência num raio de 1 km do cliente final?
  • Que percentagem de clientes aceita mudar para ponto de recolha se for apresentada essa opção com vantagem clara (preço, rapidez, ambiente)?

IA na logística portuguesa: de campanha especial a rotina diária

A Black Friday de 2025 mostra como a logística portuguesa está a dar um salto: quem domina dados e IA está a conseguir crescer volumes sem perder serviço, e até melhorando sustentabilidade. A NACEX é um exemplo visível disso, ao combinar reforço operacional com inteligência em previsão, rotas e pontos de conveniência.

Mas o maior erro seria tratar isto como algo “especial da Black Friday”. A realidade é que:

  • O e‑commerce em Portugal não vai recuar
  • Os clientes já se habituaram a entregas rápidas, previsíveis e rastreáveis
  • As exigências de sustentabilidade e reporte ESG vão subir

Por isso, a IA na logística portuguesa deixou de ser diferencial e passou a ser requisito mínimo para competir a médio prazo.

Se a sua empresa ainda está a gerir picos “a olho”, este é o momento certo para dar o primeiro passo: começar por previsão de volumes, depois rotas, depois última milha com pontos de conveniência. O caso NACEX mostra que é possível escalar 25% numa campanha crítica sem sacrificar fiabilidade – desde que a inteligência (humana e artificial) venha antes dos camiões.

A próxima campanha forte está sempre mais perto do que parece. A questão é simples: quando chegar, vai estar a apagar fogos… ou a operar com um plano suportado por IA que já testou e validou?

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