Como a IMPETUS usa IA e AutoStore para dobrar a eficiência

IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de ValorBy 3L3C

Como o Grupo IMPETUS integrou IA, AutoStore e robótica para dobrar a capacidade de armazenamento e ganhar eficiência logística na indústria têxtil portuguesa.

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IA na logística portuguesa: o salto da IMPETUS

A maior parte das empresas têxteis em Portugal continua a preparar pedidos com empilhadores, papel e muito “desenrasque”. O Grupo IMPETUS decidiu ir pelo caminho oposto: integrou IA, AutoStore, robótica e WMS num único fluxo intralogístico e dobrou a capacidade de armazenamento face a soluções tradicionais.

Isto interessa a qualquer empresa portuguesa que viva de margens apertadas, picos de procura e falta de mão de obra em armazém. A automação já não é um luxo para gigantes internacionais; é, cada vez mais, o que distingue quem cresce de forma sustentada de quem anda sempre “a apagar fogos”.

Neste artigo da série “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor”, uso o caso IMPETUS–Smartlog para mostrar, na prática, como a automação intralogística e a inteligência artificial podem transformar um armazém têxtil — e o que isso significa para outras operações em Portugal.


O que a IMPETUS fez (e porque é que interessa a outras empresas)

A solução da Smartlog para o Grupo IMPETUS é um sistema intralogístico integral que automatiza o fluxo de materiais desde o WIP até à expedição, coordenado por software e otimizado com IA.

Em termos simples, o fluxo é este:

  1. WIP e alimentação da produção:

    • Sistema robótico Smartpick atua como pulmão intermédio.
    • Garante entradas e saídas 24h/dia, com gestão automática de prioridades.
  2. Armazenagem de produto acabado e preparação de pedidos:

    • Sistema AutoStore com 12.000 contentores, 8 robots e estações de picking tipo carrossel.
    • Opera mais de 1.700 movimentos diários, com fluxo até 212 apresentações/hora.
  3. Orquestração por software:

    • Galys WMS coordena tudo em tempo real e está integrado com o ERP da IMPETUS.
    • Garante inventário fiável e rastreabilidade total.
  4. Expedição automatizada:

    • As encomendas preparadas são entregues diretamente a um sistema de transporte que as leva para a área de expedição.

O resultado não é apenas “mais tecnologia”: é uma operação que absorve picos, reduz erros, corta deslocações internas e cria base para crescimento sem ter de “rebentar” com mais m2 de armazém.


Porque é que a indústria têxtil portuguesa precisa desta abordagem

A indústria têxtil e de vestuário em Portugal vive num contexto muito específico:

  • Rotação muito elevada de SKUs: coleções curtas, cores, tamanhos, variantes.
  • Lead times cada vez mais curtos impostos pelo retalho internacional.
  • Rastreabilidade obrigatória por questões de qualidade, compliance e sustentabilidade.
  • Pressão de custos e mão de obra operacional escassa e rotativa.

A IMPETUS tinha exatamente estes problemas:

  • Gestão de referências altamente variáveis.
  • Dificuldade em sincronizar produção e expedição.
  • Falta de capacidade de armazenamento sem expansão física.
  • Necessidade de trabalhar em três turnos, com elevado custo humano.

A solução adotada mostra um caminho claro para outras empresas portuguesas:

Em setores com muita variabilidade e elevada rotação, automação + IA não é “nice to have”; é a única forma de manter serviço ao cliente sem rebentar custos.


O papel da IA e do WMS: onde está a inteligência, afinal?

Muitos projetos de automação falham porque se focam só no hardware. O caso IMPETUS mostra o oposto: o coração da solução é o Galys WMS e a forma como este sistema coordena tudo em tempo real.

1. Orquestração em tempo real

O WMS, apoiado por algoritmos de otimização (e em muitos casos por componentes de IA), decide:

  • Que ordem deve ser preparada a seguir.
  • Que robot deve buscar que contentor no AutoStore.
  • Que caixa deve entrar ou sair do Smartpick para alimentar a produção.
  • Como distribuir carga entre turnos para evitar gargalos.

É aqui que surgem ganhos como:

  • Menos esperas na produção (linha nunca para por falta de material).
  • Rotas de picking otimizadas sem o operador ter de “pensar no layout”.
  • Balanceamento automático entre prioridades de urgência, SLA e capacidade.

2. IA na previsão e planeamento

Mesmo quando não está explícito no comunicado, há três áreas óbvias onde a IA entra (ou deve entrar) neste tipo de solução:

  1. Previsão de procura e picos de expedição

    • Modelos que preveem volumes por dia/semana.
    • Ajuste proativo do número de robots ativos e das janelas de corte.
  2. Gestão dinâmica de inventário

    • Reorganização automática das posições no AutoStore (os artigos mais pedidos sobem à “superfície”).
    • Sugestão de reaprovisionamentos internos antes de haver ruturas.
  3. Deteção de anomalias e qualidade de dados

    • Alertas quando há divergências recorrentes entre stocks físicos e teóricos.
    • Identificação de padrões de erro por operador, SKU ou turno.

3. Rastreabilidade total

Numa operação têxtil com foco em sustentabilidade e mercados internacionais, saber onde esteve cada lote é obrigatório.

Com o WMS e a automação:

  • Cada movimento de caixa, contentor ou encomenda fica registado.
  • Qualquer auditoria (cliente ou certificação) é respondida com poucos cliques.
  • A análise de devoluções ou reclamações deixa de ser “detective work” em Excel.

Smartpick + AutoStore: como funciona o fluxo de materiais

A combinação Smartpick + AutoStore é interessante porque cobre todo o ciclo logístico interno, não só o fim da linha.

Smartpick: o pulmão da produção

O Smartpick gere o fluxo de materiais intermédios (WIP):

  • 2.640 caixas em operação contínua.
  • 2 robots de carga e descarga, garantindo redundância.
  • 2 transportadores com 40 posições de buffer cada.
  • Estrutura vertical de 12 níveis, aproveitando a altura do armazém.

Na prática, isto permite:

  • Abastecer linhas de produção 24/7 sem depender de empilhadores.
  • Reduzir deslocações e riscos de acidentes.
  • Garantir que o material certo chega à linha certa, no momento certo.

AutoStore: densidade máxima e picking eficiente

Do lado do produto acabado, o AutoStore é o motor da preparação de pedidos:

  • GRID com 13.774 posições brutas.
  • 12.000 contentores de 330 mm de altura.
  • 8 robots a operar, com mais de 1.700 movimentos/dia.
  • 3 estações de picking tipo carrossel.
  • 2 postos conveyor de entrada.

O impacto direto para o negócio:

  • Dobro da capacidade de armazenamento face a soluções convencionais.
  • Redução drástica de deslocações internas no picking.
  • Fluxo contínuo de até 212 apresentações/hora nas estações.

Ou seja, o operador deixa de “andar atrás da mercadoria”; é a mercadoria que vem ao operador. Este simples facto aumenta produtividade, reduz erros e melhora segurança.


Benefícios tangíveis: de custos a estratégia de mercado

A IMPETUS não investiu nesta solução para “ter um armazém bonito”. Há ganhos claros, tanto operacionais como estratégicos.

1. Benefícios operacionais

  • Capacidade de armazenamento duplicada sem aumentar área construída.
  • Eliminação de grande parte das deslocações na preparação de pedidos.
  • Redução de erros operacionais graças ao suporte do sistema nas decisões.
  • Menos acidentes e melhor ergonomia nas estações de trabalho.
  • Manutenção modular, com possibilidade de intervir sem parar a operação.

A redução dos tempos de preparação traduz-se diretamente em:

  • Mais encomendas preparadas por turno.
  • Possibilidade de manter ou reduzir turnos, em vez de contratar “à pressa”.
  • Maior previsibilidade para planeamento de transporte.

2. Benefícios estratégicos

Do ponto de vista da estratégia de negócio:

  • A IMPETUS ganha uma infraestrutura escalável: pode adicionar robots, estações e contentores conforme o crescimento.
  • Fica melhor preparada para exigências de serviço ao cliente (cut-offs mais tarde, lead times mais curtos).
  • Consolida imagem de referência em automação intralogística no setor têxtil.

A própria empresa resume isto bem:

“Com este investimento daremos um importante salto tecnológico e qualitativo na gestão dos nossos processos logísticos, permitindo-nos responder com maior agilidade, eficiência e precisão às necessidades dos nossos clientes.” – Ricardo Figueiredo, Vice-President of the Board, IMPETUS


O que outras empresas portuguesas podem aprender com este caso

Há três lições claras para quem está a pensar em IA e automação na logística em Portugal.

1. Começar pelo fluxo, não pela tecnologia

A Smartlog não “vendeu um AutoStore”. Desenhou um fluxo de materiais inteiro, do WIP à expedição, e só depois encaixou Smartpick, AutoStore e WMS.

Se está a estudar um projeto semelhante:

  • Mapeie o fluxo atual com dados reais (tempos, distâncias, erros).
  • Identifique gargalos e custos ocultos (retrabalho, esperas, deslocações).
  • Desenhe o fluxo-alvo e só depois pense em que tecnologia encaixa.

2. IA é tão importante como a parte mecânica

Sem decisão inteligente em tempo real, até o melhor sistema automático fica subaproveitado. É o WMS (e os algoritmos que o suportam) que:

  • Decide prioridades.
  • Otimiza rotas de picking.
  • Equilibra carga entre robots, estações e turnos.

Na série “IA na Logística Portuguesa: Eficiência na Cadeia de Valor”, este é um ponto recorrente: a automação física só entrega o seu potencial quando é comandada por software inteligente.

3. Pensar escalabilidade desde o início

A automação intralogística não tem de ser “tudo de uma vez”. Mas tem de ser pensada para crescer sem recomeçar do zero.

No caso IMPETUS:

  • Mais robots podem ser adicionados ao AutoStore.
  • O número de contentores e estações de picking pode aumentar.
  • O Smartpick aguenta mais volume sem alterar o conceito base.

Para outras empresas, a pergunta certa não é “quanto custa o sistema agora?”, mas “até onde posso crescer antes de voltar a investir pesado?”.


Próximo passo: da inspiração à implementação

O caso IMPETUS–Smartlog mostra que a IA na logística portuguesa já não é teoria, é prática diária em operações que trabalham 24/7 e alimentam clientes internacionais exigentes.

Se está a avaliar dar um passo semelhante, vale a pena começar por três frentes:

  1. Diagnóstico de maturidade logística: onde está hoje em termos de dados, processos, automação e competências.
  2. Business case detalhado: qual o impacto esperado em capacidade, custos, serviço ao cliente e risco operacional.
  3. Roadmap faseado: o que automatizar primeiro, como integrar IA na gestão de armazéns e como preparar a equipa para a mudança.

A automação intralogística com IA não é apenas um projeto de tecnologia; é uma decisão estratégica sobre como quer competir em 2026, 2030 e além. As empresas que tratarem a logística como motor de valor – e não só como centro de custo – vão estar noutro campeonato.

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