Como a Galucho, com mais de 100 anos de história, está a preparar as suas máquinas agrícolas para o campo digital, IA, eficiência e sustentabilidade em Portugal.
Galucho e IA: da charrua ao campo digital em Portugal
A maior parte das explorações agrícolas que hoje andam a testar sensores, drones e plataformas de IA continuam a confiar, todos os dias, em máquinas com mais de 100 anos de história por trás. É o caso da Galucho, marca portuguesa que atravessou um século de agricultura e agora está a dar o salto para o campo digital.
Isto interessa a qualquer agricultor ou cooperativa por uma razão simples: não há agricultura de precisão sem mecanização inteligente. Podes ter a melhor app de previsão de colheitas, mas se o reboque, a grade ou o escarificador não forem eficientes, fiáveis e “ligados”, o custo por hectare continua a explodir.
Neste artigo da série “IA na Agricultura Portuguesa: Campo Digital”, pego no exemplo da Galucho para mostrar como a tradição da mecânica pesada se está a cruzar com IA, dados e sustentabilidade. E, sobretudo, o que isto pode significar para quem trabalha no campo em Portugal já nas próximas campanhas.
1. De 1920 ao campo digital: o que não mudou na Galucho
A Galucho é um bom barómetro da evolução da mecanização agrícola em Portugal. Desde 1920, passou de máquinas simples de ferro a equipamentos com componentes de alta tecnologia, mas manteve três pilares muito claros: qualidade, robustez e fiabilidade.
O que mudou de forma mais visível:
- Materiais e engenharia: dos equipamentos simples para estruturas otimizadas, com melhor comportamento em esforço e menor tara.
- Design focado no operador: hoje a preocupação não é só “funcionar”; é segurança, conforto e manutenção rápida.
- Sustentabilidade: redução de consumos, menor agressão ao solo e preparação para monitorização em tempo real.
O que se manteve:
- Foco no setor agrícola como núcleo do negócio.
- Equipamentos pensados para trabalho duro e durável.
- Cultura de inovação constante, agora acelerada pela digitalização.
Esta combinação é precisamente o cenário ideal para integrar IA na agricultura: máquinas robustas, mas abertas a sensores, telemetria e plataformas de dados.
2. Da lavoura ao transporte: onde a Galucho está no campo português
Em 2025, a Galucho cobre praticamente todo o ciclo de trabalho no solo e grande parte da logística agrícola. E isto é importante quando pensamos em IA, porque quanto mais operações estiverem cobertas por equipamentos “ligados”, melhor será a qualidade dos dados.
Principais soluções no terreno
A Galucho atua sobretudo em três grandes frentes:
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Preparação do solo
- Charruas
- Grades de discos (ligeiras e pesadas) – GLHR, GVR, NGVR, GDR
- Escarificadores para mobilização profunda
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Culturas específicas e entrelinhas
- Soluções para cultura arvense e mobilização entre linhas em cereais e outras culturas.
-
Transporte e logística
- Reboques agrícolas, do PB1500 ao MG24, cobrindo várias capacidades
- Cisternas para transporte de água e chorume
Na prática, a Galucho está presente em fases críticas:
- Antes da sementeira
- Após a colheita
- Transporte de grão, palha, água, chorume e outros materiais
Ou seja, em todos os pontos onde podemos recolher dados valiosos para IA: consumo por hectare, compactação, número de passagens, tempos de operação, custos reais por parcela.
3. Como nasce uma máquina… e porque isto é ouro para a IA
O processo de desenvolvimento da Galucho já é, por si, muito próximo da lógica de agricultura de precisão.
Do campo para a engenharia
O ciclo é este:
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Necessidade identificada
- Chega através da equipa comercial ou da rede de concessionários, espalhada pelo país.
-
Análise de viabilidade
- A equipa de engenharia avalia se faz sentido técnico e económico.
-
Protótipo e testes reais
- Construção de um protótipo
- Testes em condições reais de trabalho no campo
-
Afinações com clientes-piloto
- Em alguns casos, mais ensaios com clientes selecionados
- Ajustes com base na experiência prática
Este modelo já é, na essência, um processo de coprodução com o agricultor. O passo seguinte – e aqui entra a IA – é tornar estes testes e ajustes baseados em dados contínuos, não apenas em perceções ou feedback verbal.
O que muda com IA neste ciclo
Quando as máquinas começarem a integrar sensores e conectividade, a Galucho (e o agricultor) podem:
- Medir consumos reais por hectare em diferentes tipos de solo.
- Comparar vibração, esforço e desgaste de componentes entre explorações.
- Otimizar geometrias de discos, pesos e larguras de trabalho com base em dados, não em tentativa e erro.
- Identificar de forma quase automática configurações ideais por cultura, parcela e humidade do solo.
A Galucho já falou publicamente em monitorização em tempo real de parâmetros funcionais. É o ponto de partida perfeito para cruzar IA, telemetria e agronomia.
4. Eficiência, consumo e impacto ambiental: onde a IA vai fazer diferença
A empresa está a apostar em duas coisas que fazem todo o sentido para a agricultura portuguesa em 2025: eficiência operacional e redução do impacto ambiental.
4.1. Menos tara, mais inteligência
A Galucho tem vindo a reduzir a tara dos equipamentos, mantendo a robustez. Isto traz vantagens diretas:
- Menor consumo de combustível por hectare
- Menor compactação do solo
- Melhor adaptação a tratores com diferentes potências
Mas daqui para a frente, o ganho maior vem quando essa engenharia mais leve é combinada com dados:
- A máquina “sabe” a profundidade a que está a trabalhar.
- O sistema ajusta a velocidade e a carga recomendada.
- O agricultor vê no telemóvel ou no tablet o custo por hectare em tempo real.
4.2. Monitorização em tempo real e IA
A Galucho já assumiu que está a preparar soluções tecnológicas para monitorizar parâmetros funcionais das máquinas em tempo real. Quando isto estiver maduro, abre-se um conjunto de possibilidades muito concretas para IA na agricultura portuguesa:
- Alertas de sobre-esforço para evitar quebras e paragens em plena campanha.
- Recomendações automáticas de velocidade, profundidade e largura de trabalho para reduzir consumo.
- Mapas de consumo por parcela, úteis para calcular margens reais e comparar técnicas de mobilização.
- Integração com sistemas de rega inteligente e previsão de colheitas, ajustando o tipo de mobilização às necessidades de retenção de água e estrutura do solo.
Isto liga diretamente com o objetivo desta série Campo Digital: tirar partido de IA não como “moda”, mas como ferramenta prática para baixar custos e aumentar previsibilidade.
5. Grades de discos, cereais e dados: onde o impacto é imediato
Hoje, as grades de discos Galucho – GLHR, GVR, NGVR, GDR – são das alfaias mais procuradas. Quem compra destaca sobretudo:
- Fiabilidade das chumaceiras
- Resistência dos discos
- Durabilidade geral da máquina
Agora junta a isto tecnologia de monitorização + IA.
Porque é que as grades são a peça ideal para o campo digital?
- Entram em ação em quase todas as explorações – especialmente em cereais.
- Trabalham em momentos críticos: pré-sementeira e pós-colheita.
- Influenciam diretamente:
- Estrutura do solo
- Consumo de combustível
- Número de passagens necessárias
Se estas grades passarem a recolher dados como:
- Profundidade real
- Número de passagens
- Velocidade média
- Consumo por hectare
Então a IA pode começar a responder a perguntas muito concretas que interessam ao produtor:
- “Se eu reduzir uma passagem, quanto ganho em custo e quanto perco (ou não) em produtividade?”
- “Em que talhões estou a gastar mais combustível do que a média?”
- “Onde estou a compactar demais o solo?”
É aqui que o know-how mecânico da Galucho ganha nova vida num contexto de agricultura de precisão e análise de dados.
6. Assistência técnica, peças e IA: menos paragens, mais campanhas completas
Outro ponto forte da Galucho é a estrutura de pós-venda:
- Rede de concessionários oficiais a garantir proximidade e peças originais.
- Departamento de pós-venda dedicado apenas ao acompanhamento técnico.
- Assistência no exterior e oficina oficial preparada para grandes reparações.
Agora, imagina esta estrutura alimentada por diagnóstico inteligente:
- A máquina envia dados de anomalias e padrões de desgaste.
- A IA identifica que uma chumaceira, eixo ou disco está a fugir do padrão normal.
- O concessionário liga antes de a avaria acontecer, agenda a intervenção e evita uma paragem em plena ceifa.
Isto não é ficção científica. É o passo lógico de qualquer fabricante que já esteja a pensar em monitorização em tempo real. E para o agricultor português, especialmente em explorações maiores e cooperativas, significa mais fiabilidade de campanha e uma gestão de risco muito mais controlada.
7. Como o agricultor português pode preparar-se para o campo digital
Não é preciso esperar por máquinas totalmente conectadas para começar a preparar o salto para a IA na agricultura. Há três passos práticos que qualquer exploração pode começar a dar já em 2025:
-
Registar dados de forma sistemática
- Consumo de gasóleo por operação
- Número de passagens por talhão
- Horas de trabalho por máquina
-
Escolher máquinas com lógica de futuro
- Equipamentos de fabricantes (como a Galucho) que já falem em monitorização e dados.
- Alfaias com boa assistência técnica e peças disponíveis – porque IA sem fiabilidade mecânica não serve.
-
Pensar o parque de máquinas como um sistema
- Lavoura, entrelinhas, transporte, rega, colheita – tudo ligado por dados.
- Preparar-se para integrar, a médio prazo, plataformas de previsão de colheitas, deteção de pragas e rega inteligente.
A Galucho não é uma startup digital; é uma empresa com mais de um século de tração no terreno. Justamente por isso, quando começa a falar em soluções tecnológicas e monitorização em tempo real, vale a pena ouvir com atenção.
Para onde vai a Galucho… e o campo digital português
A direção é clara: máquinas mais leves, mais eficientes e cada vez mais “ligadas”. A Galucho está a usar o que sabe melhor – projetar alfaias robustas e adaptadas à realidade portuguesa – e a preparar o terreno para que essas alfaias entrem, aos poucos, no universo da IA aplicada à agricultura.
Para quem está a gerir um negócio agrícola em Portugal, isto significa ter pela frente uma oportunidade concreta:
- Continuar a trabalhar com equipamentos que já conhece e confia.
- Ir adicionando, passo a passo, camadas de dados, monitorização e IA.
- Chegar a um ponto em que as decisões de lavoura, rega e logística sejam apoiadas não só na experiência, mas também em informação sólida, recolhida pelas próprias máquinas.
O campo português está a tornar-se digital, quer se queira quer não. A questão é simples: vais ser dos que correm atrás, ou dos que aproveitam desde cedo a combinação entre mecânica bem feita e inteligência artificial?