Entenda como um acordo de PD&I com o CETEM pode acelerar IA no agro e gerar impacto no varejo: previsão, qualidade, menos perdas. Veja o checklist.

Acordo com o CETEM: P&D e IA para o agro (e o varejo)
Pouca gente fora do ecossistema de inovação percebe como um acordo de prestação de serviços ou de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com uma instituição como o CETEM pode virar a “chave” de um projeto que estava parado. Não por magia — mas porque isso dá acesso a infraestrutura, especialistas e método. E método, quando o assunto é IA aplicada à agricultura, é o que separa uma prova de conceito bonita de um resultado que aguenta a safra inteira.
Agora, um ponto que eu defendo com convicção: projeto de PD&I no agro não termina na porteira. Quando você melhora previsão de produtividade, monitoramento de safra e qualidade pós-colheita, você melhora também o que o varejo e o e-commerce mais sofrem para acertar: previsão de demanda, gestão de estoques, perdas e experiência do cliente. Esta ligação é a cara da nossa série “IA no Comércio Varejista e E-commerce”.
Um acordo com o CETEM (Centro de Tecnologia Mineral) é, na prática, um caminho estruturado para cocriar tecnologia: desde ensaios, validações e análises até desenvolvimento de soluções com dados, sensores e modelos de IA — com foco em produtividade e sustentabilidade.
O que um acordo com o CETEM resolve (de forma prática)
Um acordo com o CETEM serve para tirar o projeto do “achismo” e colocar em trilhos técnicos e legais. Em vez de contratar um fornecedor que promete tudo, você estabelece escopo, entregáveis, critérios de qualidade, propriedade intelectual, confidencialidade, prazos e governança com uma instituição pública de pesquisa reconhecida.
Na vida real, isso costuma destravar três gargalos comuns em projetos de IA e inovação no agro:
1) Infraestrutura e rigor experimental
IA boa nasce de dados bons. E dados bons exigem coleta consistente, calibração, controle de variáveis e validação. Em aplicações que envolvem solo, fertilizantes, corretivos, rejeitos, rastreabilidade, contaminação e qualidade, a parte “laboratorial” e de caracterização físico-química pesa — e muito.
O CETEM, por vocação, trabalha com tecnologia mineral, processos, caracterização e materiais. Isso conversa diretamente com desafios do agro: correção de solo, remineralizadores, fertilidade, disponibilidade de nutrientes, análise de insumos e impactos ambientais.
2) Uma ponte entre P&D e operação
O objetivo não é publicar um relatório e pronto. O objetivo é colocar a solução em uso: no talhão, na cooperativa, na agroindústria e, depois, na gôndola (ou no carrinho do e-commerce).
Um bom acordo de PD&I amarra:
- plano de trabalho e cronograma
- fases de prototipagem e validação
- critérios de aceite (o que significa “funciona”)
- transferência de tecnologia (como vira rotina)
3) Segurança jurídica e governança de inovação
Projetos com dados (especialmente imagens, geolocalização e dados de produção) pedem regras claras: confidencialidade, uso de dados, direitos de exploração e publicação. Acordos bem feitos evitam o clássico “de quem é o modelo?” ou “posso usar esses dados em outro produto?”.
Frase para guardar: “Sem governança, IA vira custo; com governança, IA vira ativo.”
Onde a IA entra: do solo à previsão de demanda
A conexão entre PD&I no agro e IA no varejo/e-commerce fica óbvia quando você pensa em cadeia. O varejo quer regularidade, qualidade e previsibilidade. O campo entrega variabilidade. IA é o idioma que ajuda a traduzir uma coisa na outra.
Abaixo estão frentes em que parcerias de PD&I (incluindo com o CETEM) podem gerar aplicações reais de IA — com impacto direto na eficiência e na receita.
IA para agricultura de precisão: recomendação e prescrição
Modelos de machine learning podem combinar:
- análises de solo e insumos
- histórico de produtividade
- clima e relevo
- dados de sensores e imagens
E gerar mapas de prescrição (onde aplicar, quanto aplicar, quando aplicar). Isso reduz desperdício e aumenta retorno por hectare.
Do ponto de vista do varejo, isso melhora:
- padronização de qualidade (menos variação no produto)
- previsibilidade de volume (menos ruptura)
- planejamento de promoções (mais confiança no abastecimento)
Monitoramento de safra com visão computacional
Imagens de drones e satélites com IA ajudam a detectar:
- estresse hídrico
- falhas de plantio
- pragas e doenças
- degradação e erosão
Quando esse monitoramento vira rotina, a operação antecipa problemas e reduz perdas. Resultado: maior taxa de aproveitamento e maior estabilidade de oferta.
No e-commerce alimentar (e no varejo em geral), estabilidade significa:
- menos substituições de pedidos
- menos cancelamentos por indisponibilidade
- mais confiança em entregas programadas
Previsão de produtividade e qualidade: o “S&OP” do agro
No varejo, S&OP (Sales & Operations Planning) depende de previsão. No agro, o equivalente depende de previsão de produtividade por talhão e por janela de colheita.
Projetos de PD&I com IA conseguem sair do “vai dar X toneladas” para algo operacional: faixas de confiança, cenários e gatilhos.
Exemplo prático de uso na cadeia:
- Se a previsão aponta quebra de 12% na região X, o varejo pode ajustar mix, negociar substitutos e calibrar preços com antecedência.
Qualidade e rastreabilidade: menos perda, mais margem
A perda pós-colheita e na cadeia de frio ainda é um buraco no lucro. IA pode apoiar:
- classificação automática (tamanho, defeitos, maturação)
- previsão de shelf life
- detecção de desvios de temperatura e umidade
Quando você conecta isso ao e-commerce, o ganho é direto: menos devolução, melhor avaliação, menos descarte.
Como estruturar um projeto de PD&I com o CETEM (sem perder 6 meses)
A forma mais rápida de destruir um projeto de inovação é começar pelo modelo de IA antes de fechar problema, dados e operação. Um acordo de PD&I funciona melhor quando você estrutura em fases curtas e com entregáveis claros.
Fase 1 — Diagnóstico e desenho do problema (2 a 6 semanas)
Aqui você define o “o quê” e o “por quê”. O que entra:
- hipótese técnica (o que você acredita que dá para melhorar)
- métricas (reduzir perda em 8%, melhorar acurácia de previsão em X, etc.)
- fontes de dados e lacunas
- requisitos de campo/lab
Entregável recomendado: Documento de escopo + plano de coleta e validação.
Fase 2 — Dados e validação (6 a 12 semanas)
Antes de treinar qualquer modelo:
- padronize coleta
- faça controle de qualidade de dados
- estabeleça baseline (método atual)
Entregável recomendado: Dataset versionado + relatório de qualidade + baseline comparável.
Fase 3 — Protótipo e prova de valor (8 a 16 semanas)
Agora sim entra IA:
- modelos simples primeiro (regressão, árvores, baseline estatístico)
- depois, métodos mais sofisticados (ensembles, deep learning, visão computacional)
Entregável recomendado: Protótipo testado em condições reais + indicadores de desempenho.
Fase 4 — Piloto operacional e transferência (12 a 24 semanas)
A tecnologia precisa sobreviver ao “mundo real”:
- treinamento de equipe
- integração com sistemas (ERP, WMS, plataformas de e-commerce, apps de campo)
- governança de atualização do modelo (MLOps)
Entregável recomendado: Plano de escala + manual operacional + governança de IA.
Minha regra prática: se não houver um plano de uso no dia a dia, é pesquisa; se houver rotina, integração e dono do indicador, vira inovação.
Casos de uso que fazem sentido para agronegócio + varejo/e-commerce
Se você está buscando ideias “com começo, meio e fim” para levar a um acordo com o CETEM, estes projetos costumam ser bons candidatos porque têm dados acessíveis, impacto mensurável e conexão direta com cadeia e mercado.
1) Remineralizadores e insumos: eficiência e impacto ambiental
Projetos que avaliam composição, granulometria, liberação de nutrientes e performance em campo podem ganhar muito com IA para:
- modelar resposta por tipo de solo
- prever melhor dose e momento de aplicação
- reduzir uso excessivo de insumos
Impacto no varejo: melhor padronização e previsibilidade de oferta.
2) Classificação de qualidade automatizada para frutas e hortaliças
Visão computacional em esteira ou no packing house para classificar:
- defeitos
- maturação
- tamanho/peso estimado
Impacto no e-commerce: menos reclamação por qualidade e mais recompra.
3) Previsão de oferta regional para planejamento comercial
Modelo que combina clima, histórico e sensoriamento para prever volume por região e janela.
Impacto no varejo: menos ruptura e menos estoque parado.
4) Monitoramento ambiental e conformidade
Detecção de risco (erosão, assoreamento, contaminação, poeira, etc.) e indicadores ESG.
Impacto no mercado: facilita acesso a compradores exigentes e melhora reputação.
Checklist: o que preparar antes de propor o acordo
Se a sua empresa quer avançar rápido, eu começaria por este checklist (simples e eficaz):
- Problema bem escrito em uma página (dor, impacto, quem usa)
- Dados disponíveis (o que existe, onde está, formato, frequência)
- Ambiente de validação (talhões, unidades, linha de classificação, piloto)
- Métrica de sucesso (ex.: reduzir perdas em 5%, aumentar acurácia em 15 p.p.)
- Time responsável (dono do processo + TI/dados + operação)
- Regras de PI e confidencialidade desejadas (o que é inegociável)
- Plano de adoção (quem vai usar, quando e como)
Esse material deixa a conversa com qualquer centro de pesquisa — incluindo o CETEM — muito mais objetiva.
O que muda em 2026: IA mais barata, exigência mais alta
Estamos em dezembro de 2025, e a tendência para 2026 é clara: treinar e usar IA ficou mais acessível, mas o mercado ficou mais exigente com resultado comprovado. No agro, isso significa que projetos “de vitrine” perdem espaço para soluções que entregam:
- ganho por hectare ou por tonelada
- redução de perdas (campo + pós-colheita)
- menor risco operacional (clima, pragas, logística)
E no varejo/e-commerce, significa:
- previsão de demanda mais fina
- abastecimento mais estável
- menos desperdício e mais margem
A melhor parte: quando PD&I é bem feito, o benefício aparece dos dois lados.
Próximo passo: transforme o acordo em pipeline de inovação
Realizar um acordo com o CETEM para prestação de serviços ou para projetos de PD&I não é “só” contratar pesquisa — é montar um pipeline de soluções com base técnica, com espaço real para IA na agricultura e impacto direto no que o mercado compra, estoca e entrega.
Se você está no agro, pense na pergunta que mais dói: “Onde eu perco dinheiro por falta de previsibilidade?” Se você está no varejo ou no e-commerce, a pergunta irmã é: “Quanto eu perco por ruptura, excesso de estoque e qualidade inconsistente?” Muitas vezes, a resposta está no mesmo lugar: na forma como a cadeia mede, prevê e decide.
Você já tem um problema e dados suficientes para desenhar um piloto de 90 dias — ou ainda está preso na fase do “a gente precisa de IA”?