Testes automáticos com simulação: menos risco, mais OEE

IA na Indústria e ManufaturaBy 3L3C

Teste automático com simulação reduz risco e acelera arranques. Veja como melhorar OEE e rastreabilidade com o SIMIT Rapid Tester.

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Testes automáticos com simulação: menos risco, mais OEE

Na automação industrial, a maioria dos atrasos não acontece por falta de sensor, CLP ou rede. Acontece quando alguém diz: “podemos arrancar… mas ainda não testámos tudo”. E, nessa frase, mora o custo escondido de muitas paragens, retrabalho e arranques tensos.

É aqui que a simulação e os testes automáticos entram como aliados naturais da IA na Indústria e Manufatura: menos tarefas repetitivas feitas “à mão”, mais validação contínua, mais rastreabilidade e menos erros humanos. A proposta do SIMIT Rapid Tester (integrado na plataforma Siemens SIMIT) encaixa exatamente nesse ponto: transformar o teste de lógica, interlocks e sequências num processo automatizado, repetível e documentado.

O resultado prático é simples de entender: quando o teste deixa de ser um esforço heróico de última hora e passa a ser um “hábito” automatizado, a fábrica ganha confiabilidade, acelera mudanças e protege o OEE.

O gargalo real: testar automação é caro e muda o tempo todo

A engenharia de automação é, por natureza, volátil. Receitas mudam, equipamentos mudam, intertravamentos ganham novas exceções, e o que funcionava no arranque anterior pode falhar depois de uma alteração aparentemente pequena. Em processos contínuos e em manufatura discreta, esse cenário é comum.

O problema: testes manuais não escalam.

Por que a validação manual falha (mesmo com equipas experientes)

A equipa até pode ser excelente, mas enfrenta três limitações estruturais:

  1. Repetição exaustiva: regressões (retestar o que já estava certo) consomem tempo e ninguém gosta de repetir “o óbvio”.
  2. Cobertura incompleta: quando o prazo aperta, os testes “menos prováveis” ficam para depois. E é aí que o incidente aparece.
  3. Documentação frágil: o registo de evidências vira prints soltos, notas em Excel ou relatos. Quando surge uma auditoria, uma investigação de falha ou uma troca de turno, falta rastreabilidade.

Simulação em tempo real ajuda a reduzir risco antes do arranque, mas ainda fica uma lacuna: como garantir que cada lógica e cada sequência foram testadas de forma consistente e repetível — e como provar isso.

“Automação confiável não é a que ‘parece funcionar’. É a que foi testada, repetida e documentada.”

Onde o SIMIT Rapid Tester se encaixa na jornada de fábricas inteligentes

A resposta direta: o SIMIT Rapid Tester foi feito para automatizar testes de engenharia específicos do projeto, mantendo transparência e documentação detalhada.

Ele funciona como um componente da plataforma SIMIT Simulation, que já é usada há décadas para simulação em tempo real, comissionamento virtual e treino de operadores. O Rapid Tester adiciona uma camada muito pragmática: testes automáticos com gestão, execução programada e evidências.

“IA” na prática: automatização de tarefas cognitivas repetitivas

Embora não seja “IA generativa”, o impacto é muito parecido com o que as empresas buscam quando falam em IA na manufatura:

  • reduzir trabalho manual repetitivo (criação/execução de testes)
  • diminuir erro humano (testes sempre iguais, sem “pulos”)
  • aumentar a velocidade de mudança (regressão rápida)
  • produzir evidência e rastreabilidade (documentação automática)

Na prática, isso cria um ciclo de melhoria contínua que lembra a lógica do software moderno: testar sempre, automatizar tudo o que for repetível, e só “subir para produção” com evidência.

Como funciona: do “teste artesanal” a cenários reutilizáveis

O ganho de eficiência vem de dois pontos: criação rápida de cenários e reutilização.

Criação de cenários com conceito tipo-instância

A ideia é direta: em vez de criar testes do zero a cada projeto, você define tipos de teste (blueprints) e depois instancia esses testes para equipamentos/áreas específicas.

Exemplos de “tipos” que fazem sentido numa planta:

  • válvula on/off: abrir/fechar, falhas de feedback, permissivos
  • motor: partida, interlock de proteção, sequência de parada
  • malha de controle: modos, limites, falha de instrumento
  • sequência de batch: etapas, transições, condições de avanço

Depois, você cria instâncias por tag, skid, linha ou área — com parâmetros próprios.

Importação por Excel e alterações em massa

Em projetos reais, a dor é atualizar 50, 200 ou 1000 tags com consistência. A possibilidade de criar instâncias e parâmetros via folhas Excel e importar acelera muito a estruturação do plano de testes.

E quando surge a inevitável mudança? Um recurso de localizar/substituir ajuda a ajustar tipos em massa (por exemplo, mudanças em convenções, limites, condições de permissivo, etc.).

O efeito colateral positivo: você aumenta a consistência de dados entre projetos, algo essencial para iniciativas de padronização, bibliotecas e “template plants”.

Execução e regressão: testes como rotina (e não como evento)

A resposta direta: o Rapid Tester facilita executar testes manualmente, em lote e de forma agendada.

Test Set: testar por dispositivo, área ou planta inteira

O conceito de Test Set (conjunto de testes) permite organizar a execução por:

  • um dispositivo (ex.: todas as válvulas de um skid)
  • uma área (ex.: utilidades, CIP, envase)
  • um arranque completo (sequência ponta a ponta)

Isso parece detalhe, mas muda o jogo no dia a dia. Testar “por pedaços” do jeito certo reduz conflitos entre equipas (automação, processo, operação) e diminui o tempo de diagnóstico.

Agendamento: regressão programada para mudança e migração

Para quem vive modernização (migração de PCS, atualização de biblioteca, novos blocos, alterações de receita), o recurso mais valioso costuma ser este: executar testes repetidos em horários definidos.

Exemplo prático (muito comum):

  • 22h00: equipa aplica mudança de lógica
  • 23h00: regressão automática roda Test Sets críticos
  • 07h00: turno do dia recebe relatório com falhas e evidências

Isso aproxima a automação industrial de uma disciplina que já é padrão em TI: validação contínua. E é aí que o tema da série “IA na Indústria e Manufatura” fica concreto: mais automação do processo de engenharia, menos dependência de “memória” e “heroísmo”.

Evidências e rastreabilidade: o que separa “testei” de “está provado”

A resposta direta: a documentação detalhada e exportável é parte central da proposta.

Documentação passo a passo (o que executou vs. o esperado)

O Rapid Tester registra como cada passo foi executado e compara com o resultado esperado. Na prática, isso ajuda em três frentes:

  • diagnóstico: localiza exatamente onde a sequência divergiu
  • compliance: cria trilha de auditoria para qualidade e segurança
  • transferência de conhecimento: reduz dependência de uma pessoa específica

Em vez de “o teste falhou algures”, você tem “falhou no passo 17, quando a condição X deveria estar verdadeira após Y segundos”. Isso encurta discussões e acelera correções.

Dashboard de gestão de testes + exportação para PDF

Além do detalhe por teste, um painel de estado ajuda a ver rapidamente:

  • quais instâncias passaram
  • quais falharam
  • o que está pendente

E a exportação para PDF fecha o ciclo: evidência partilhável para validação interna, integradores, EPCs e owner-operators.

Conectividade e ecossistema: por que isso importa em plantas mistas

A resposta direta: conectar bem define se a ferramenta vira padrão ou vira exceção.

O Rapid Tester integra com soluções Siemens como SIMATIC PCS 7, SIMATIC PCS neo e TIA Portal, e também consegue comunicar com sistemas de automação/simulação de outros fornecedores via OPC UA.

Isso é importante porque muitas fábricas são híbridas:

  • linhas antigas e novas coexistem
  • skids chegam de diferentes integradores
  • parte do parque é Siemens, parte não é

Se a ferramenta só funciona num “mundo perfeito”, ela não entra no processo. Conectividade universal é um requisito prático.

Onde começa a ganhar dinheiro: tempo de arranque, qualidade e risco

A resposta direta: o valor aparece quando você transforma testes em um processo sistemático.

Eu costumo ver o benefício em quatro camadas:

  1. Menos horas de engenharia em testes repetitivos: a equipa gasta energia onde importa (melhorar lógica, tratar exceções reais).
  2. Arranque mais suave: menos surpresas no comissionamento e menos ajustes no limite do prazo.
  3. Mais qualidade e segurança: interlocks e sequências passam por maior cobertura de testes.
  4. Mudança com menos medo: regressão automatizada encoraja melhoria contínua sem “quebrar” o que já estava estável.

Exemplo prático: biblioteca nova, sem paralisar a planta

Cenário típico:

  • você atualiza uma biblioteca de blocos (válvulas, motores, permissivos)
  • precisa aplicar em várias áreas
  • o risco é introduzir um detalhe errado em centenas de instâncias

Com testes automatizados por tipo-instância, você consegue:

  • validar o “tipo” uma vez
  • rodar regressão em massa nas instâncias
  • documentar tudo e comparar resultados entre versões

O que antes era “conferir na unha” vira um processo industrializado.

Checklist para implementar testes automáticos com simulação (sem complicar)

A resposta direta: comece pequeno, padronize, e só depois escale.

  1. Escolha 3 a 5 ativos críticos (um skid, uma sequência de arranque, uma área com alto impacto em paragens).
  2. Defina tipos de teste claros (o que é “passar” e “falhar”, tempos, tolerâncias, estados esperados).
  3. Crie Test Sets por contexto operacional (por área e por cenários “fim a fim”).
  4. Agende regressão para o ciclo de mudança (noite/madrugada, antes de janelas de manutenção, após deploy de alterações).
  5. Use a documentação como padrão: se não tem evidência, o teste não existe.

Esse caminho costuma gerar adesão porque a equipa sente alívio rápido: menos repetição, menos discussão e mais previsibilidade.

Próximo passo na série “IA na Indústria e Manufatura”: testar como parte da inteligência operacional

A adoção de IA na manufatura não é só modelos sofisticados. Muitas vezes, é sobre criar sistemas em que a qualidade do trabalho melhora porque a rotina pesada foi automatizada. Testes automáticos com simulação entram exatamente aí.

Se você está a investir em fábricas inteligentes, manutenção preditiva e qualidade baseada em dados, faz sentido garantir o básico: a lógica de automação precisa ser validada continuamente. Ferramentas como o SIMIT Rapid Tester colocam disciplina e rastreabilidade onde antes havia esforço manual e lacunas.

O que a sua planta ganharia se cada alteração em sequência, interlock ou biblioteca viesse acompanhada de uma regressão automática e um relatório rastreável — antes do problema aparecer no turno da noite?