Automação industrial e IA: o motor do crescimento em 2026

IA na Indústria e ManufaturaBy 3L3C

Automação industrial e IA estão a puxar crescimento: 30% em automação e 28% em software. Veja como aplicar na fábrica em 2026.

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Automação industrial e IA: o motor do crescimento em 2026

Os números são difíceis de ignorar: a Siemens fechou o ano com receita próxima de 79 mil milhões de euros, +5% face ao ano anterior, e a operação na Hungria cresceu +8%. O detalhe que mais interessa a quem vive a realidade das fábricas é outro: a automação industrial avançou 30% no último trimestre, e a componente de software subiu 28%. Quando uma empresa deste tamanho acelera assim, não é “sorte”. É sinal de que o mercado está a pagar por produtividade mensurável.

E isto diz muito sobre o momento que a indústria está a atravessar no final de 2025: com incerteza económica, energia cara em alguns mercados e pressão por prazos mais curtos, ganha quem transforma dados em decisões e decisões em execução no chão de fábrica. Na série “IA na Indústria e Manufatura”, tenho defendido uma ideia simples: a IA só cria valor quando está acoplada a automação, processos e gente preparada. É exatamente essa combinação (automação + software + infraestrutura inteligente) que aparece como motor de crescimento.

O que o crescimento da automação industrial nos está a dizer

Resposta direta: quando a automação cresce 30%, as empresas estão a comprar capacidade de produzir melhor, não apenas máquinas.

A fala do CEO da Siemens na Hungria é clara: o último trimestre “empurrou” os resultados, puxado pela automação industrial e por software. Este padrão costuma acontecer quando as empresas deixam de tratar automação como “projeto de capital” isolado e passam a tratá-la como estratégia de desempenho: reduzir variabilidade, aumentar OEE, estabilizar qualidade e encurtar mudanças de produto.

Há um mito comum: “em ano fraco, ninguém investe”. A realidade é mais pragmática. Em períodos de estagnação industrial, a pauta muda de expansão para eficiência. Se eu não posso crescer em volume, eu cresço em margem, em previsibilidade e em taxa de entrega no prazo.

Por que o software (e a IA) passam a liderar o orçamento

Resposta direta: software escala ganhos que hardware sozinho não consegue.

O crescimento de 28% no software reforça um movimento que já é visível em manufatura: o valor está a migrar para camadas digitais como:

  • MES e MOM para sincronizar produção, qualidade e rastreabilidade
  • SCADA/HMI modernos com contextualização de dados e alarmística inteligente
  • Digital twins para simular linhas, comissionamento virtual e mudanças de produto
  • Analytics e IA para manutenção preditiva, inspeção visual e otimização de processo

Eu gosto de resumir assim: hardware automatiza o movimento; software automatiza a decisão. A IA entra como acelerador quando existe histórico, sensores confiáveis, disciplina operacional e objetivos claros.

Do “chão de fábrica” ao ecossistema: fábricas inteligentes dependem de infraestrutura inteligente

Resposta direta: uma fábrica inteligente não vive sem energia confiável, conectividade industrial e integração entre ativos.

O artigo também aponta crescimento em infraestruturas inteligentes, com projetos fortes não só na América do Norte e Ásia, mas também na Europa, África e Médio Oriente. Esta é uma pista importante: as empresas estão a investir na base que sustenta o digital.

Em 2026, o custo de não ter esta base vai ficar mais alto por três razões:

  1. Eletrificação e qualidade de energia: mais inversores, robôs, carregamento de frotas internas e requisitos de harmónicos/estabilidade.
  2. Cibersegurança OT: mais conectividade exige segmentação, gestão de identidades, inventário de ativos e monitorização.
  3. Dados em tempo útil: IA útil precisa de dados com latência, contexto e governança.

Onde a infraestrutura impacta diretamente a produtividade

Resposta direta: energia e automação estão a convergir para reduzir paragens e desperdícios.

Na prática, infraestrutura inteligente aparece em decisões muito concretas:

  • Modernização de subestações e quadros para reduzir falhas e melhorar manutenção
  • Gestão de energia por linha/turno/produto (e não apenas por fábrica)
  • Monitorização de qualidade de energia para evitar paragens “misteriosas”
  • Integração de EV chargers e micro-redes sem comprometer estabilidade

Quando isto está bem feito, o resultado aparece em KPI: menos downtime elétrico, menos sucata por instabilidade e mais previsibilidade de custos.

O “segredo” não é geografia — é capacidade de entregar projetos globais

Resposta direta: empresas industriais fortes ganham quando conseguem projetar localmente e executar globalmente.

Um ponto muito interessante da entrevista é a explicação para o bom desempenho apesar das dificuldades de partes da indústria europeia: existem empresas (locais ou estrangeiras, muitas privadas) cuja receita é realizada em outras regiões. Ou seja, a engenharia, o desenho e a preparação podem acontecer num país — e a execução noutro.

Os exemplos citados (projetos em Egito, África do Sul, Costa Rica e América do Norte) reforçam uma tendência que eu vejo em operações maduras: competência de automação e digital é exportável. E, para quem quer gerar leads B2B, isto é ouro: o comprador está à procura de parceiros que consigam entregar padrões repetíveis, documentação forte, comissionamento rápido e suporte remoto.

O que isto ensina às equipas de manufatura em Portugal e no Brasil

Resposta direta: o diferencial está em métodos e arquitetura, não só em equipamentos.

Se a sua equipa quer competir por projetos maiores (internos ou para clientes), foque em:

  1. Arquiteturas padrão (templates de PLC, bibliotecas, padrões de tagueamento)
  2. Comissionamento virtual (reduz risco e acelera start-up)
  3. Documentação viva (as-built digital, gestão de versões, rastreabilidade)
  4. Operação orientada a dados (dashboards com ações, não “televisões de KPI”)

Isto prepara o terreno para IA de verdade: modelos que explicam, recomendam e automatizam decisões com confiança.

Aplicações práticas de IA + automação que mais geram ROI

Resposta direta: três casos dominam o ROI em fábricas: manutenção preditiva, inspeção visual e otimização de processo.

Se a automação está a crescer e o software está a crescer quase na mesma velocidade, é porque as empresas estão a financiar casos com retorno claro. Eis os que mais aparecem em 2025/2026:

1) Manutenção preditiva com foco em paragens caras

Como funciona: sensores (vibração, corrente, temperatura) + histórico de falhas + modelo para prever degradação.

Onde dá resultado: compressores, bombas, ventiladores, redutores, motores críticos, linhas com gargalo.

Boa prática: comece com top 10 ativos por custo de paragem, não com “tudo”.

2) Inspeção de qualidade com visão computacional

Como funciona: câmaras industriais + iluminação consistente + IA para deteção de defeitos e classificação.

Onde dá resultado: superfícies, soldas, embalagem, impressão/rotulagem, montagens com variação humana.

Boa prática: trate dados de imagem como processo: amostras representativas, controlo de mudanças e plano de re-treino.

3) Otimização de processo (setpoints e estabilidade)

Como funciona: modelos que aprendem relação entre variáveis de processo e resultado (qualidade/consumo/ciclo).

Onde dá resultado: fornos, extrusão, mistura, dosagem, química/farma, alimentos.

Boa prática: antes de “IA”, faça o básico: instrumentação confiável, calibração, e disciplina de receitas.

Frase para guardar: IA não corrige um processo desorganizado; ela apenas escala o caos.

Checklist: como preparar a sua fábrica para ganhar com automação e IA em 2026

Resposta direta: padronize, conecte, governe dados e escolha casos com retorno em semanas, não em anos.

Se você está a planear orçamento para 2026, este checklist evita projetos bonitos que não chegam ao resultado:

  1. Defina um KPI primário por área (ex.: OEE na linha A, sucata na linha B, energia por unidade na linha C)
  2. Garanta conectividade OT segura (segmentação, inventário, backups, gestão de acessos)
  3. Escolha um “piloto com escala” (um caso que possa ser replicado em 3–5 linhas)
  4. Crie um dono do produto (alguém do negócio, não só da TI/automação)
  5. Planeie o ciclo de vida do modelo (monitorização, re-treino, auditoria)
  6. Integre com execução (MES/SCADA/PLC): recomendação sem ação vira relatório

Perguntas que as equipas fazem (e respostas úteis)

“Devo começar por IA ou por automação?”

Resposta direta: comece por automação e dados confiáveis; IA vem logo depois para extrair mais valor.

Se o seu processo ainda depende de apontamentos manuais, paragens sem causa raiz e baixa rastreabilidade, a IA vai sofrer para “adivinhar” o que falta.

“Como justifico investimento se o mercado está morno?”

Resposta direta: justifique por risco e margem: menos paragens, menos sucata, menos energia por unidade.

Eficiência é o tipo de crescimento que passa na aprovação quando o CAPEX está sob pressão.

“Qual a métrica mais honesta para provar valor?”

Resposta direta: dinheiro e tempo: custo de paragem evitado, sucata evitada, kWh por unidade, tempo de setup.

Métricas “de vaidade” (número de dashboards, volume de dados) não convencem ninguém.

O que eu espero ver a partir de 2026

A leitura que faço dos dados é objetiva: automação industrial e software estão a ocupar o centro da estratégia, porque são as alavancas mais diretas para produtividade, qualidade e eficiência energética. E isso combina perfeitamente com o tema desta série: IA na Indústria e Manufatura só vira vantagem competitiva quando está apoiada por automação bem arquitetada e uma infraestrutura preparada.

Se você lidera manufatura, engenharia, manutenção ou melhoria contínua, a próxima conversa interna não deveria ser “vamos fazer IA?”. Deveria ser: “onde a variabilidade nos custa mais caro — e o que precisamos automatizar para reduzir isso já no próximo trimestre?”

Se quiser transformar esta abordagem em plano, o melhor próximo passo é mapear um caso prioritário (um único) com dados disponíveis, dono claro e caminho de integração com MES/SCADA. A partir daí, dá para escalar.

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