Planeamento eMobility com SIMARIS e MENNEKES: menos retrabalho, mais eficiência energética e base para IA na gestão de carga industrial.

Planeamento inteligente para carregamento eMobility
Em projetos de carregamento para veículos elétricos, o “atraso invisível” raramente está na obra. Está antes disso: no dimensionamento elétrico, nas listas de materiais, na compatibilidade com normas e na coordenação entre equipas (energia, instalações, TI, operações). A realidade? Muitos projetos falham no papel — e pagam a fatura mais tarde, em custos extra, prazos derrapados e limitações de potência que ninguém queria.
É aqui que a parceria entre Siemens Smart Infrastructure e MENNEKES ganha relevância para quem vive a indústria e a manufatura. Ao integrar o portefólio industrial de carregamento da MENNEKES no ecossistema SIMARIS, o planeamento da distribuição elétrica para infraestrutura de carregamento torna-se mais direto, mais padronizado e mais “à prova de erros”. E, para a nossa série IA na Energia e Sustentabilidade, há um ponto ainda mais interessante: quando as ferramentas de planeamento ficam digitais e integradas, abrem caminho para automação avançada e, sim, para IA aplicada à eficiência energética e à execução.
Porque o planeamento elétrico é o gargalo da eMobility na indústria
Resposta direta: porque um parque de carregamento não é “só instalar carregadores”; é um projeto de energia com impacto real na capacidade da instalação, na continuidade de serviço e na fatura elétrica.
Em ambiente industrial, a conversa muda rapidamente de “quantos carregadores precisamos?” para “onde vamos buscar potência, com que redundância e com que limites?”. Um erro comum é subestimar a complexidade da distribuição:
- Capacidade disponível no ponto de entrega vs. potência pedida pelo carregamento
- Coordenação de proteções (disjuntores, seletividade, curto-circuito)
- Qualidade de energia (picos, harmónicas, fator de potência)
- Expansão futura (crescimento de frota, novas linhas, armazém 24/7)
- Requisitos de normas e documentação para auditorias e concursos
No fim, a eMobility industrial compete com outras cargas críticas: compressores, fornos, climatização, processos contínuos e, cada vez mais, produção distribuída (fotovoltaico) e armazenamento.
O custo do retrabalho é maior do que parece
Quando o dimensionamento não está “fechado” com rigor, surgem efeitos em cascata:
- Trocas de quadros e cabos porque a corrente real ficou acima do previsto
- Reprojetos por incompatibilidade com normas aplicáveis
- Atrasos em concursos por cadernos de encargos incompletos
- Limitações operacionais: carregamento lento, janelas curtas, prioridades mal definidas
A minha experiência é que um projeto bem planeado vale mais do que a marca do equipamento, porque evita o que ninguém quer: parar produção por causa de uma infraestrutura de suporte.
O que muda com a integração MENNEKES no ecossistema SIMARIS
Resposta direta: o projetista passa a dimensionar a distribuição elétrica e a selecionar componentes com acesso direto ao portefólio de eMobility industrial da MENNEKES dentro das ferramentas SIMARIS, acelerando o desenho e reduzindo fricção entre planeamento e execução.
A novidade central é simples e prática: a MENNEKES torna-se o primeiro parceiro externo a integrar-se no ecossistema SIMARIS. Na prática, isso significa que, durante o planeamento, a equipa consegue:
- Dimensionar a distribuição para o cenário de carregamento (potência, correntes, proteções)
- Determinar dispositivos necessários, como quadros de distribuição, para suportar as estações de carregamento
- Gerar documentação de planeamento e especificações para concursos, incluindo informação de orçamento
- Usar dados BIM para troca de informação e integração antecipada em digital twins
“Oferecer tudo a partir de uma única fonte” não é só um slogan; num projeto, significa menos interfaces, menos versões de ficheiros e menos decisões tomadas com base em suposições.
BIM e gémeos digitais: menos surpresas no terreno
Quando o projeto chega cedo ao BIM e ao digital twin, o risco baixa. Porquê? Porque dá para simular conflitos de espaço, rotas de cabos, acessos de manutenção e fases de expansão.
Num parque logístico ou numa fábrica com tráfego intenso, layout não é um detalhe. Uma estação mal colocada pode gerar filas, manobras perigosas e perda de tempo. Modelar antes evita improvisos depois.
Onde entra a IA (e por que faz diferença em 2026)
Resposta direta: a integração digital cria dados e consistência; a IA usa isso para prever carga, otimizar potência contratada, reduzir picos e melhorar decisões de investimento.
O artigo fala de ferramentas de planeamento, normas e documentação. A ponte para IA acontece quando a infraestrutura deixa de ser um “projeto único” e passa a ser um sistema operável:
1) Previsão de demanda energética para carregamento
Em indústria, carregamento não é aleatório. Há turnos, rotas, janelas de carga/descarga, picos sazonais (e dezembro é um ótimo exemplo em logística e retalho). Modelos de IA conseguem prever:
- quantos veículos vão precisar de energia por faixa horária
- quanta potência total será exigida
- qual o impacto no consumo global da instalação
Isso suporta decisões como balanceamento de carga, gestão de prioridades e contratação de potência mais adequada.
2) Otimização para reduzir picos (e custos)
Muitas empresas pagam caro por picos. Com dados integrados (planeamento + operação), dá para aplicar algoritmos de otimização que:
- escalonam carregamentos conforme tarifas
- evitam ultrapassar limites de demanda
- coordenam carregamento com fotovoltaico e baterias
Um princípio simples que funciona: carregar mais quando há produção local e menos quando o processo industrial está no pico.
3) Planeamento automático e verificação de conformidade
Mesmo quando não se chama “IA”, automação inteligente já reduz erros:
- validações automáticas de regras
- geração de listas de materiais
- consistência de documentação para concursos
E há um ganho pouco falado: padronização. IA dá melhores resultados quando os dados e os processos são consistentes — exatamente o que ecossistemas como SIMARIS promovem.
Exemplo prático: fábrica com frota mista e expansão em 12 meses
Resposta direta: ao planear com ferramentas integradas e dados BIM, a empresa reduz retrabalho e consegue crescer o parque de carregamento com menor risco elétrico e operacional.
Pense numa fábrica com 20 veículos (entre ligeiros de serviço e empilhadores/veículos de apoio) e plano de chegar a 60 em 12 meses. Os desafios típicos:
- potência disponível limitada
- necessidade de manter produção contínua
- múltiplas zonas de carregamento (docas, parque, manutenção)
Um caminho sólido (e realista) para este tipo de cenário:
- Fase 1 – Dimensionamento para hoje + amanhã: projetar quadros e proteções considerando expansão, mesmo que nem todos os carregadores sejam instalados já.
- Fase 2 – Operação com regras claras: prioridades (veículos críticos primeiro), limites por zona e janelas de carregamento.
- Fase 3 – Otimização com dados: previsão de carga e controlo de picos para reduzir custos e evitar penalizações.
A integração de portefólios no SIMARIS ajuda logo na Fase 1 (planeamento e documentação), e cria a base para as Fases 2 e 3 (operação e IA).
Checklist para projetos de infraestrutura de carregamento industrial
Resposta direta: se quer evitar custos escondidos, trate carregamento como parte do sistema energético e não como “obra de estacionamento”.
Use este checklist em reuniões de arranque e revisões de projeto:
Requisitos de energia e operação
- Potência total atual e futura (12–36 meses)
- Perfis por turno e sazonalidade (picos de fim de ano, campanhas, etc.)
- Criticidade por tipo de veículo (produção, segurança, logística)
Engenharia elétrica e conformidade
- Capacidade no ponto de entrega e margem real
- Seletividade e coordenação de proteções
- Estratégia para qualidade de energia
- Documentação para concursos: especificações, listas, estimativas
Digitalização para escalar com segurança
- Modelação BIM e validação de espaço/acessos
- Integração com sistemas de energia (monitorização, subcontagem)
- Dados mínimos para IA: consumos por carregador, eventos, horários, potência
Uma frase que guia bons projetos: “Se não dá para medir, não dá para gerir — e, sem gerir, o custo aparece no pior momento.”
O que esta parceria sinaliza para a indústria (e para quem quer gerar leads)
Resposta direta: ecossistemas abertos de planeamento aceleram projetos e criam base para eficiência energética e IA, algo que decisores industriais estão a comprar agora — não “um dia”.
A parceria Siemens–MENNEKES é um exemplo concreto de como a transição energética avança quando fabricantes e plataformas de engenharia param de funcionar em silos. Para o mercado industrial, isto traduz-se em três benefícios bem tangíveis:
- Menos tempo de engenharia para chegar a um projeto pronto para concurso
- Menos risco técnico na distribuição elétrica e na expansão
- Mais maturidade digital (BIM/digital twin) para operar e otimizar com IA
Se a sua empresa está a avaliar infraestrutura de carregamento, eu apostaria numa abordagem em duas camadas: começar com um planeamento elétrico robusto e, logo em seguida, desenhar a camada de dados (monitorização + regras + otimização). É aí que a eficiência energética deixa de ser promessa e vira linha no orçamento.
A pergunta que fica para 2026 é simples e desconfortável: a sua infraestrutura de carregamento vai ser apenas instalada… ou vai ser gerida como um ativo energético inteligente?