Coorientação no CETEM fortalece pesquisas de pós em IA no agro, com validação aplicada, métricas de impacto e foco em energia e sustentabilidade.

Solicitar coorientação de profissionais do CETEM para desenvolvimento de pesquisas em pós-graduação
Um bom projeto de pós-graduação não morre por falta de bibliografia. Ele morre por falta de acesso ao “mundo real”: dados difíceis, validação em condições operacionais, escolhas metodológicas que não cabem num manual e decisões que dependem de quem já errou (e acertou) muitas vezes.
É por isso que solicitar coorientação de profissionais do CETEM pode ser uma das decisões mais pragmáticas para quem quer fazer pesquisa aplicada — especialmente quando o tema envolve IA na agricultura e agritech, com exigência de impacto e sustentabilidade. E, sim, isso conversa diretamente com a nossa série “IA na Energia e Sustentabilidade”: no campo, eficiência produtiva quase sempre é eficiência energética, e reduzir desperdício de insumos é reduzir emissões e impactos.
A minha tese aqui é simples: coorientação não é “apoio extra”; é uma estratégia de execução. Quando bem desenhada, encurta o caminho entre hipótese e resultado, melhora a qualidade científica e aumenta a chance de o trabalho virar piloto, produto, política pública ou parceria.
O que a coorientação com o CETEM destrava (na prática)
A resposta direta: destrava capacidade de pesquisa aplicada com rigor técnico. Em vez de trabalhar com um “problema acadêmico” genérico, você passa a trabalhar com um problema que tem dono, contexto e restrições.
O CETEM é reconhecido por atuar em temas que pedem engenharia, dados, sustentabilidade e validação em ambiente operacional. Isso faz diferença em pesquisas de pós quando o objetivo é sair do papel — por exemplo, em agricultura de precisão com IA, em que o modelo só vale se aguentar ruído, sazonalidade e limitações de conectividade.
Mais importante: coorientar não é substituir seu orientador. É somar: o orientador garante a linha acadêmica, a qualidade metodológica e a evolução do pesquisador; o coorientador agrega visão aplicada, acesso a rotinas técnicas, instrumentos, padrões e critérios de validação.
Por que isso é especialmente valioso em IA no agro
Projetos de IA no agro falham, na maioria das vezes, por três motivos bem concretos:
- Dados ruins ou mal definidos (labeling inconsistente, amostragem enviesada, sensores mal calibrados)
- Métricas erradas (otimiza
accuracye perde dinheiro na operação) - Falta de validação operacional (o modelo funciona no notebook, mas não na fazenda)
Coorientação com profissionais que lidam com operação, instrumentação e sustentabilidade ajuda a corrigir esses três pontos cedo — quando ainda dá tempo.
“A diferença entre um bom artigo e um bom resultado aplicado é a qualidade das decisões tomadas antes do primeiro treinamento do modelo.”
Como conectar sua pesquisa à agenda de sustentabilidade (e energia) no campo
A resposta direta: formule o problema como eficiência de recursos. Na agricultura, quase tudo que chamamos de sustentabilidade pode ser traduzido em uma combinação de:
- Eficiência energética (diesel, eletrificação, consumo de bombas, irrigação)
- Eficiência de insumos (fertilizante, defensivo, água)
- Gestão de risco climático (perdas, estresse hídrico, janela de plantio)
- Mensuração ambiental (solo, carbono, erosão)
Isso encaixa perfeitamente na lógica da série “IA na Energia e Sustentabilidade”: IA não é só “prever”; é otimizar decisões com restrições ambientais.
Exemplos de temas de pós com alto potencial (e onde a coorientação ajuda)
Abaixo vão ideias que costumam render boa dissertação/tese e também interessar agritechs e produtores — principalmente quando há coorientação para guiar instrumentação, validação e escalabilidade.
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Detecção de estresse hídrico por visão computacional
- Entrada: imagens de drone/satélite + clima
- Saída: mapa de prioridade de irrigação
- Métrica certa: economia de água e energia por hectare, não só
F1-score
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Otimização de adubação em taxa variável com modelos preditivos
- Entrada: mapas de produtividade, análises de solo, NDVI
- Saída: recomendação de dose por talhão
- Ganho: reduzir N aplicado e emissões associadas, mantendo produtividade
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Manutenção preditiva em máquinas agrícolas (eficiência energética indireta)
- Entrada: telemetria, vibração, consumo, horas de motor
- Saída: previsão de falha e janela de manutenção
- Impacto: menos paradas, menos diesel desperdiçado, maior vida útil
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Previsão de demanda energética em irrigação e bombeamento
- Entrada: clima, umidade do solo, tarifa/horário, evapotranspiração
- Saída: agenda ótima de irrigação
- Conexão com energia: deslocar consumo para horários mais eficientes
Esses temas têm uma característica em comum: precisam de validação fora do laboratório. A coorientação entra justamente aí.
Um “playbook” para solicitar coorientação e ser levado a sério
A resposta direta: chegue com proposta enxuta, objetivos claros e um plano de colaboração. Pedidos genéricos (“quero alguém do CETEM para me orientar”) tendem a travar. Pedidos com escopo e contrapartidas andam.
1) Prepare um resumo de 1 página (sem excesso de jargão)
Inclua:
- Problema (1 parágrafo) e por que importa para agro/sustentabilidade
- Hipótese e objetivo principal (1 frase cada)
- Dados disponíveis e o que falta (com fontes internas/externas)
- Metodologia pretendida (ex.:
random forest,xgboost, redes, séries temporais) - Como validar em campo (o que será considerado “sucesso”)
- Cronograma em 3 marcos (M1, M2, M3)
O segredo é mostrar maturidade: você sabe o que quer medir e como provar.
2) Defina o papel do coorientador (e proteja o projeto de ambiguidades)
Uma boa coorientação precisa de “contrato social” claro:
- Reuniões: quinzenais ou mensais?
- Entregas do aluno: relatórios curtos, notebooks reprodutíveis, logs de experimento
- Entregas do coorientador: revisão de plano de validação, acesso a critérios técnicos, contato com equipe/infra
- Propriedade intelectual e dados: o que pode ser publicado e quando
Eu recomendo escrever isso em meia página. Evita ruído e acelera tudo.
3) Mostre que você entende o custo real: dados e validação
Se o seu projeto envolve IA, diga explicitamente:
- Como será feito o data pipeline (coleta → limpeza → versionamento → treinamento)
- Qual será o protocolo de teste (safra A vs safra B, fazenda X vs Y)
- Como vai lidar com sazonalidade, falhas de sensor e “buracos” de conectividade
Quem já tocou projeto aplicado valoriza isso imediatamente.
4) Traga uma proposta de impacto e transferência (mesmo que simples)
Não precisa prometer “virar startup”. Basta propor um caminho:
- Protótipo funcional (dashboard, API, modelo embarcado)
- Manual de validação
- Repositório reprodutível (quando possível)
- Relatório de impacto (água, energia, insumos, emissões)
Esse pacote transforma a tese em ativo.
Como desenhar uma pesquisa de IA que não vira “modelo de Kaggle”
A resposta direta: comece pelas restrições e pela métrica de negócio/ambiente, depois escolha o algoritmo.
Métricas que fazem sentido no agro (e conversam com sustentabilidade)
Além das métricas de ML, coloque métricas operacionais no centro:
- Litros de água economizados/ha
- kWh economizados por ciclo de irrigação
- kg de N evitado/ha (e impacto em emissões associadas)
- Redução de aplicações de defensivo por talhão
- Redução de perdas (% de produtividade recuperada)
A pesquisa fica mais forte e mais “citável”, porque a contribuição é concreta.
Um exemplo realista de desenho experimental
Suponha um modelo para recomendar irrigação:
- Treino: dados de 2 safras (clima + umidade do solo + histórico de irrigação)
- Validação temporal: treina em safra 1, testa na safra 2
- Validação espacial: treina na fazenda A, testa na fazenda B
- Métrica final: economia de água (m³/ha) e energia (kWh/ha) mantendo produtividade
Isso evita a armadilha do “funcionou no dataset” e reforça a ponte com energia e sustentabilidade.
Perguntas comuns (e respostas diretas)
“Coorientação ajuda mesmo na aprovação e na qualidade do trabalho?”
Ajuda quando existe papel definido e agenda técnica. Coorientação simbólica não muda nada. Coorientação ativa melhora método, validação e capacidade de execução.
“Meu tema é IA no agro, mas o CETEM não é ‘agro’. Faz sentido?”
Faz, porque muitos desafios do agro moderno são engenharia + dados + sustentabilidade: instrumentação, qualidade de medição, processos, eficiência de recursos e avaliação de impacto.
“Como evitar travar por burocracia e alinhamento institucional?”
Alinhe cedo com seu orientador, documente escopo e combine regras de dados/publicação. Quando todos sabem o que será entregue e o que pode ser divulgado, o projeto anda.
Próximos passos para transformar coorientação em resultado
Solicitar coorientação de profissionais do CETEM para desenvolvimento de pesquisas em pós-graduação é uma forma objetiva de aumentar a chance de o seu trabalho virar aplicação real — e, no contexto de IA na agricultura, isso quase sempre significa produzir mais com menos: menos água, menos energia, menos insumo, menos perda.
Se eu estivesse começando um projeto agora, em pleno fim de 2025, eu faria duas coisas já na primeira semana: (1) escreveria o resumo de 1 página com métricas ambientais e operacionais; (2) desenharia um plano de validação que sobreviva a uma safra ruim, a sensor falhando e a dado faltando. É aí que a coorientação pesa.
Se você quer que sua pesquisa em IA no agro seja também uma peça da transição para um sistema mais eficiente em energia e mais sustentável, a pergunta final não é “qual modelo usar?”. É: quem vai validar comigo, em condições reais, que isso funciona e vale a pena?