Automação de energia com a SICAM 8: padronize HW/SW, reduza manutenção e prepare dados para IA em eficiência energética e sustentabilidade.

SICAM 8: automação de energia para fábricas mais eficientes
A maioria das fábricas já digitalizou uma parte do chão de fábrica, mas ainda trata a energia como “infraestrutura invisível”. O resultado aparece nos momentos menos convenientes: paragens curtas que viram horas, picos de demanda que encarecem a fatura, e alarmes dispersos por sistemas diferentes que ninguém consegue correlacionar a tempo.
É aqui que plataformas de automação de energia como a SICAM 8 entram com força. A ideia é simples (e, honestamente, muita gente complica): unificar hardware, software, controlo e engenharia numa única plataforma para operar, monitorizar e evoluir sistemas elétricos com mais estabilidade e menos custo operacional. Para a nossa série “IA na Energia e Sustentabilidade”, isto é um ponto-chave: IA precisa de dados consistentes, eventos bem definidos e uma base de automação confiável para funcionar de forma útil.
Porque uma plataforma única de automação de energia muda o jogo na indústria
Resposta direta: quando a energia é gerida em silos (relés aqui, RTUs ali, HMI noutro fornecedor), perde-se tempo, qualidade de dados e previsibilidade. Uma plataforma única reduz complexidade e melhora a execução.
Em ambientes industriais, a rede elétrica interna já não é “apenas distribuição”: ela é parte do processo. Uma linha de embalagem, um forno, um compressor e um sistema de refrigeração competem por potência e qualidade de energia. Quando a automação do sistema elétrico não conversa com o resto, surgem três dores clássicas:
- Demasiados sistemas diferentes para manter (firmwares, peças, licenças, rotinas de backup, conhecimentos específicos).
- Treino e operação inconsistentes, com equipas a alternar interfaces e procedimentos.
- Diagnóstico lento, porque eventos e alarmes não estão normalizados nem correlacionados.
A proposta da SICAM 8 (conforme descrito no artigo de origem) é justamente atacar o “custo da diversidade”: uma plataforma universal, baseada em hard+software, escalável, para várias aplicações no campo do fornecimento de energia.
Da rede elétrica à fábrica inteligente: a ponte com IA
Resposta direta: IA na indústria funciona melhor quando existe uma camada de automação padronizada que entrega dados de qualidade, em tempo útil e com contexto.
Modelos de IA para previsão de demanda, otimização de consumo, deteção de anomalias e manutenção preditiva dependem de sinais coerentes: medições, estados, eventos e alarmes. Se cada subestação, quadro ou feeder “fala” de um jeito, a IA vira um projeto caro de integração.
Uma plataforma uniforme ajuda a:
- Normalizar eventos (o que é “falha”, “alarme”, “aviso”, “transiente”).
- Reduzir ruído (alarmes duplicados e mal classificados).
- Criar histórico confiável (base para treino de modelos e análises de causa).
O que a SICAM 8 entrega na prática (e por que isso interessa à operação)
Resposta direta: a SICAM 8 combina módulos de hardware e uma camada de software que podem padronizar engenharia, controlo e operação, reduzindo treino e manutenção.
O artigo descreve a SICAM 8 como uma solução “all-in-one” e altamente escalável, suportada por:
- Hardware baseado em Linux, com módulos da série SICAM A8000 e SICAM EGS.
- Software SICAM 8 que também pode rodar em PCs industriais de terceiros.
Na rotina industrial, isso tende a traduzir-se em duas vantagens concretas.
Menos treino, menos dependência de “especialistas raros”
Resposta direta: padronização de HMI/engenharia reduz tempo de capacitação e erros operacionais.
Quando o operador precisa alternar entre várias HMIs e lógicas de eventos, a probabilidade de erro aumenta — e o tempo de resposta também. Uma plataforma uniforme diminui a curva de aprendizagem e facilita a criação de procedimentos.
O próprio artigo enfatiza o valor para o cliente: plataforma uniforme para HW, SW, controlador e engenharia, com redução de necessidades de formação.
Menos manutenção e menos custos com diversidade de sistemas
Resposta direta: reduzir o número de sistemas distintos reduz a “fatura invisível” de manutenção: peças, contratos, incidentes e tempo parado.
O texto também aponta: redução significativa de diferentes sistemas na rede, com minimização de esforço e custos de manutenção.
Na prática, a conta costuma aparecer em:
- Menos inventário de sobressalentes diferentes
- Menos horas de diagnóstico por incidente
- Menos janelas de manutenção por incompatibilidades
- Melhor previsibilidade de atualizações (quando há uma linha tecnológica mais consistente)
Como ligar automação de energia a eficiência e sustentabilidade (com IA)
Resposta direta: automação centralizada cria a base para medir, prever e otimizar consumo — e isso é o que transforma eficiência energética em resultado financeiro.
Nesta série “IA na Energia e Sustentabilidade”, falamos muito de tecnologia, mas o objetivo é sempre operacional: gastar menos energia por unidade produzida e evitar perdas por instabilidade.
Aqui vai um exemplo típico (e realista) de como este tipo de plataforma habilita casos de uso de IA sem prometer milagres.
Exemplo: gestão dinâmica de carga para reduzir picos de demanda
Resposta direta: com dados e controlo centralizados, dá para aplicar políticas automáticas (e depois IA) para “aparar picos” e deslocar cargas não críticas.
O portfólio citado inclui o SICAM DLM (Dynamic Load Management). Em termos de aplicação industrial:
- Você mede cargas por área/linha (energia, potência, fator de potência, eventos).
- Define prioridades: o que é crítico, o que é adiável, o que pode ser escalonado.
- Executa ações automáticas quando a demanda se aproxima do limite.
- Evolui para IA: previsão de picos com base em histórico de produção, turnos e sazonalidade.
Em dezembro (e isso é bem sazonal), muitas indústrias enfrentam picos de produção, mudanças de turno e paragens para manutenção anual. É o tipo de mês em que a energia “aparece” no orçamento. Um sistema de automação bem estruturado torna mais fácil ajustar estratégias sem improviso.
Exemplo: manutenção preditiva baseada em eventos e alarmes bem estruturados
Resposta direta: listas de eventos e alarmes padronizadas são matéria-prima para modelos de anomalias e para diagnóstico rápido.
O artigo menciona SICAM EVA (Event and Alarm List) e SICAM Web (diagnóstico, monitorização e simulação). Numa estratégia de IA, isso ajuda a:
- Identificar padrões recorrentes antes de falhas (ex.: sequência de alarmes que antecede disparos).
- Reduzir “tempestades de alarmes” com classificação e correlação.
- Construir indicadores: MTBF/MTTR por feeder, por quadro, por área.
A minha posição aqui é direta: antes de comprar “IA”, arrume os eventos. Uma plataforma única facilita esse arrumo.
Componentes citados: como pensar o stack sem complicar
Resposta direta: trate os componentes como camadas — comunicação e I/O, controlo/RTU, visualização, eventos e apps. Isso simplifica a arquitetura.
O artigo lista produtos e serviços associados. Uma forma prática de os organizar mentalmente:
- Camada de campo e comunicação:
- SICAM A8000 (RTU, protocolos de comunicação, I/O cabeado)
- SICAM S8000 (RTU, protocolos e Soft PLC)
- Camada de operação:
- SICAM HMI (interface homem-máquina)
- Camada de eventos/observabilidade:
- SICAM EVA (eventos e alarmes)
- SICAM Web (diagnóstico, monitorização e simulação)
- Camada de aplicações:
- SIAPP (aplicações SICAM)
- SICAM DLM (gestão dinâmica de carga)
O ponto não é “ter tudo”. O ponto é ter uma base comum para crescer por etapas.
Checklist: como avaliar se a sua operação está pronta para uma plataforma única
Resposta direta: se você sofre com complexidade, pouca visibilidade e manutenção cara, a unificação paga-se mais cedo do que parece.
Use este checklist rápido (vale para energia em plantas, subestações internas e utilities industriais):
- Quantos sistemas diferentes existem para monitorização/controlo elétrico?
- Quanto tempo leva para treinar um operador novo (ou substituir alguém-chave)?
- Alarmes são acionáveis ou viram “ruído” em momentos críticos?
- Existe histórico confiável de eventos para análises (e futuros modelos de IA)?
- Você consegue correlacionar produção vs. consumo por linha/turno?
- A equipa de manutenção trabalha mais em reação do que em prevenção?
Se marcou “sim” em 3+ pontos, a conversa já não é só técnica — é de eficiência operacional.
Uma frase que costuma orientar bem projetos deste tipo: “Padronização primeiro, otimização depois.” IA entra com muito mais força quando a base é consistente.
Próximos passos: do controlo centralizado à IA aplicada
Plataformas como a SICAM 8 mostram um caminho pragmático: reduzir sistemas, simplificar engenharia e melhorar a observabilidade. Para fábricas que querem avançar com IA na energia e sustentabilidade, isto é a infraestrutura que evita projetos que começam “bonitos no piloto” e morrem na integração.
Se você está a planear 2026 com metas de custo e carbono mais apertadas, eu começaria com uma pergunta operacional: o seu sistema elétrico já entrega dados e eventos com qualidade suficiente para automatizar decisões — ou ainda depende de esforço manual e interfaces fragmentadas? A resposta costuma indicar o próximo investimento com mais clareza do que qualquer buzzword.