Verão 2025/2026: entenda o padrão de chuvas e como usar IA e Agritech para planejar janelas, reduzir perdas e ganhar produtividade no campo.

Verão 2025/2026: previsão do tempo e IA no campo
Às 12h03 de 21/12/2025, o verão começa oficialmente no Hemisfério Sul. No calendário, parece só um marco astronômico. Na fazenda, é outra história: verão significa janela curta, mudança rápida de tempo, chuva forte com granizo, rajadas de vento e dias longos que aceleram (ou atrapalham) decisões de plantio, pulverização, colheita e manejo.
O ponto central é simples: no verão, previsão do tempo não é “curiosidade”; é insumo. Quem trata clima como variável secundária paga caro em replantio, erosão, compactação, deriva de defensivo, perda de qualidade e quebra de produtividade.
E aqui entra o tema desta série “IA na Agricultura e Agritech”: com a meteorologia tradicional você já planeja. Com IA aplicada ao clima e à operação agrícola, você começa a antecipar riscos, ajustar doses, escolher melhor as janelas e transformar “previsão” em plano de ação.
O que esperar do verão 2025/2026 (e por que isso mexe com sua safra)
O verão 2025/2026 vai até 20/03/2026 e, como padrão climático da estação no Brasil, tende a concentrar:
- Chuvas frequentes em grande parte do país
- Eventos intensos (pancadas volumosas em pouco tempo)
- Descargas elétricas, vento moderado a forte e granizo em situações específicas
Na climatologia usada pelo INMET (referência 1981–2010), o verão costuma registrar volumes acima de 400 mm em praticamente todo o país, com exceções típicas em:
- Extremo sul do Rio Grande do Sul
- Nordeste de Roraima
- Faixa leste do Nordeste
Além disso, os maiores acumulados médios tendem a se concentrar nas regiões Norte e Centro-Oeste, com totais frequentemente na faixa de 700 a 1100 mm no trimestre de verão.
Isso importa porque “chuva no verão” não é sempre boa notícia. O problema não é chover; é como chove. Uma sequência de dias com pancadas fortes pode:
- Tirar máquinas do talhão (solo encharcado)
- Aumentar erosão e lixiviação
- Explodir pressão de doenças fúngicas
- Reduzir eficiência de adubação e defensivos
ZCAS e ZCIT: os sistemas que organizam a chuva
Do ponto de vista de sistemas meteorológicos, dois “atores” costumam comandar boa parte da chuva no verão:
- ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul): influencia fortemente Sudeste e Centro-Oeste, organizando corredores de umidade e episódios persistentes de chuva.
- ZCIT (Zona de Convergência Intertropical): tem papel relevante no Norte e no norte do Nordeste, modulando a entrada de umidade e a distribuição de precipitação.
Para o produtor, isso se traduz em uma regra prática: o risco não é só “média de chuva”; é persistência + intensidade + janela operacional.
Onde a maioria erra: usar “previsão” como boletim, não como decisão
Muita gente ainda usa previsão do tempo como se fosse um check rápido no celular antes de sair. No agro, isso é pouco. A decisão real costuma envolver custo, risco e timing.
Exemplos bem concretos de erro comum no verão:
- Pulverizar com alta umidade e vento variável e depois perder a aplicação por chuva nas horas seguintes.
- Entrar com colheita em solo no limite e criar compactação que cobra conta por anos.
- Aplicar N antes de evento intenso e perder eficiência por lixiviação.
- Programar irrigação sem considerar umidade do solo e previsão de pancadas, gastando energia e água sem retorno.
A solução não é “acertar 100%” a previsão (ninguém acerta). A solução é trabalhar com probabilidade e impacto.
Frase que eu gosto de repetir no campo: não dá pra controlar o clima, mas dá pra controlar o quanto ele te custa.
Como a IA melhora a previsão do tempo para agricultura (na prática)
IA no agro, quando bem aplicada, faz algo muito útil: transforma sinais dispersos em recomendação operacional. Em clima, isso significa juntar diferentes fontes (estações, satélite, radar, histórico local, relevo, tipo de solo) e entregar previsões e alertas mais “na escala da fazenda”.
Do “vai chover na região” para “qual talhão posso operar?”
Modelos meteorológicos tradicionais costumam entregar resultados em grades de quilômetros. A IA ajuda a:
- Refinar a previsão local (downscaling) com base em histórico e microclima
- Estimar probabilidade de chuva por hora (útil para pulverização e colheita)
- Criar alertas para chuva intensa, rajadas e granizo com antecedência operacional
Na prática, isso permite montar uma agenda do dia com lógica de risco:
- Talhões com melhor drenagem primeiro
- Operações sensíveis ao vento em janelas curtas
- Aplicações condicionadas a “X mm nas próximas Y horas”
IA + agricultura de precisão: o pacote completo
Previsão por si só é metade do trabalho. O salto real vem quando clima conversa com o resto:
- Sensores de umidade do solo → ajustar irrigação e reduzir desperdício
- NDVI/índices de vegetação → identificar áreas estressadas após veranicos ou excesso hídrico
- Modelos de doença (baseados em molhamento foliar, temperatura e umidade) → antecipar ferrugens, manchas e podridões
- Mapas de produtividade → entender onde excesso de chuva derruba rendimento e redesenhar manejo
Clima vira camada de decisão, não só informação.
Checklist de verão: decisões que a IA ajuda a acertar com mais consistência
Abaixo vai um checklist objetivo, pensado para o verão 2025/2026, quando o padrão é de chuvas frequentes e eventos intensos.
1) Plantio e replantio: reduzir “aposta” em janelas ruins
- Use previsão horária e probabilidade de chuva para evitar plantio antes de pancadas fortes.
- Priorize talhões com melhor estrutura de solo e cobertura.
- Se houver risco de enxurrada, reforce práticas de conservação (curvas de nível, terraços, palhada).
Onde a IA entra: recomendação de janela de plantio por talhão combinando chuva prevista + tipo de solo + histórico de encharcamento.
2) Pulverização: o trio que decide eficiência
No verão, pulverização costuma falhar por três motivos: vento, chuva pós-aplicação e umidade/temperatura.
Boas práticas:
- Defina regras objetivas (ex.: não aplicar se chance de chuva em 3h passar de X%).
- Use bicos e volumes ajustados para reduzir deriva.
- Monitore molhamento foliar para evitar “aplicação em folha molhada”.
Onde a IA entra: modelos que calculam risco de perda por chuva (wash-off) e sugerem janela com maior retorno.
3) Nitrogênio e adubação: proteger a eficiência
Chuvas intensas aumentam risco de lixiviação (especialmente em solos mais arenosos) e perdas por escorrimento.
- Prefira parcelamento quando possível.
- Ajuste timing com base em eventos previstos.
- Combine com dados de umidade do solo para evitar aplicação em condições críticas.
Onde a IA entra: recomendação de dose e timing com base em previsão + umidade do solo + estágio fenológico.
4) Colheita e logística: evitar compactação e perda de qualidade
- Use alerta de chuva persistente para antecipar equipes e transporte.
- Identifique talhões “sensíveis” (baixa drenagem) e programe antes.
- Evite tráfego desnecessário em solo saturado.
Onde a IA entra: otimização de rota e cronograma com base em risco de atoleiro/compactação + janela climática.
Perguntas que produtores fazem (e respostas diretas)
“Se o verão é chuvoso, posso relaxar com irrigação?”
Não. Chuva frequente não significa chuva bem distribuída. O manejo correto é baseado em armazenamento de água no solo, e isso se mede com sensor e balanço hídrico.
“Por que granizo e vendaval parecem mais comuns?”
Porque o verão combina energia (calor) e umidade, condição perfeita para tempestades severas. O que muda de ano para ano é o posicionamento dos sistemas (como ZCAS) e a dinâmica local.
“Vale a pena pagar por plataforma de IA do clima?”
Vale quando ela vira decisão mensurável: menos replantio, menos aplicação perdida, menos diesel em operação cancelada, menos compactação. Se for só um mapa bonito, não vale.
Um plano de 30 dias para começar (sem complicar)
Se você quer entrar em 2026 com o básico bem feito, eu começaria assim:
- Mapeie as decisões sensíveis ao clima na sua operação (plantio, pulverização, N, colheita).
- Defina regras de corte (ex.: vento máximo, mm em X horas, umidade mínima).
- Instale (ou revise) pelo menos:
- 1 estação meteorológica confiável
- Sensores de umidade em pontos representativos
- Centralize os dados em um painel (mesmo simples).
- Teste uma solução de IA com foco em alerta + recomendação, não só previsão.
O objetivo é um só: tomar menos decisão “no escuro” durante o verão.
O verão 2025/2026 vai testar processos — e a tecnologia separa quem reage de quem planeja
Verão no Brasil sempre foi sinônimo de oportunidade e risco ao mesmo tempo. Com volumes de chuva que, historicamente, passam de 400 mm em grande parte do país e podem chegar a 700–1100 mm em áreas do Norte e Centro-Oeste, o que decide o resultado da safra é o detalhe: quando operar, onde operar e como reduzir perda quando o tempo vira.
Na lógica da IA na agricultura e Agritech, previsão do tempo deixa de ser “acerto de meteorologista” e vira gestão de risco operacional. Quem usa IA para integrar clima, solo e manejo ganha uma vantagem bem pé no chão: mais consistência.
Se você está planejando o verão 2025/2026, minha sugestão é direta: comece pelas decisões que mais doem no bolso (pulverização e janelas de operação) e construa daí. O clima não vai ficar mais previsível. Sua operação, sim.